GINÁSTICA RÍTMICA – BRASILEIRAS ENCERRAM PARTICIPAÇÃO NA UNIVERSÍADE 2015

Como não tinha vídeos do primeiro dia eu esperei sair os do segundo pra fazer um post pra vocês. Vamos ver os vídeos, resultados e o meu comentário.

A grande vencedora foi a Son, seguida pela Rizatdinova e pela Staniouta. Nós não vamos tocar no assunto das notas com essas aí porque a competição era na Coreia do Sul, e quem manja de GR sabe o tratamento que os coreanos tem com o esporte e suas atletas, e as atletas de fora.

A Carol Garcia terminou em 28º lugar de 37 e a Letícia Dutra em último. Nada muito glamuroso, mas a gente sabe que as ginastas de segunda linha não tem o melhor tratamento mesmo. Mas eu queria chamar atenção pra vocês para a disparidade da competição entre as duas brasileiras. Enquanto a Carol Garcia que tem um corporal bem melhor que a Letícia Dutra e a possibilidade de ter notas melhores e uma classificação melhor, eu me senti extremamente feliz com a competição que a Letícia fez, e um pouco decepcionado com a Carol.

Gente, a Letícia tem condições corporais bem fracas e ainda assim ela me parece uma das ginastas que sai comendo o tablado. Os lançamentos dela muito bons e seguros, a série inteira bem montadinha, interagindo com a música e bem conectada ao mundo ao redor dela. Agora você dá uma olhada na série de fita da Carol, os erros que ela comete são bobos, super por descuido mesmo, e ela parece em outro mundo, fechada e introspectiva.

Eu sei que nem todo mundo tem que sair sorrindo no tablado e abraçando o mundo, mas a impressão que a ginasta deixa é importante também.

E isso não é uma crítica direta a ginasta, mas quem sabe um empurrãozinho pra se soltar mais, pra viver um pouco mais. Já sabem que não tem chance de medalha e de pódio, poxa vida, entra no tablado pra dar o sangue.

Assistam os vídeos e comentem por vocês.

=D

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7 thoughts on “GINÁSTICA RÍTMICA – BRASILEIRAS ENCERRAM PARTICIPAÇÃO NA UNIVERSÍADE 2015

  1. Flávio diz:

    Tenho muito respeito pelo seu ponto de vista. Sei que suas críticas são construtivas, mas acredito que seu olhar sobre as séries da Carol pode mudar depois de algumas observações. Nas maças a Carol interpreta uma música estilo Broadway, uma releitura de um musical de Liza Minnelli em que os sorrisos são sutis, nada escancarado como se faz em um samba, por exemplo. Na fita, a música é um flamenco com batida árabe, Não se sorri em dança flamenca, a expressão é densa, séria… A emoção é transmitida por meio do olhar. Quanto aos erros bobos na fita, Carol disse que estava ventando muito na hora que ela entrou, o ginásio era enorme, observe que nas tres emboladas é visivel que houve ação do vento.
    Há muitas coisas que acontecem nestes eventos que não se explica apenas no vídeo. Uma delas é que o Brasil abriu os dois dias de competição. A treinadora ao invés de colocar a segunda ginasta da equipe para abrir o evento, preferiu fazer um sorteio. No par ou impar, Carol perdeu e teve que abrir a competiçao tanto no arco como nas maças, e ainda ficou no grupo 01, das “segundas” ginastas de todos os países. E Carol está na frente de Leticia no rancking, mas competiu como se fosse a segunda do Brasil. Claro que o olhar o arbitro foi diferente. E para agravar a situaçao Carol terminou a primeira série dela (arco) sem aparelho… mesmo tipo de perda que Natalia teve na bola no pan… e ainda assim conseguiu virar nos demais aparelhos e terminar em 28 de 37 atletas. Carol estava sem a treinardora dela e pra piorar o Brasil era o UNICO país sem árbitro na banca,,, isso mesmo, no dia do embarque a árbitro brasileira entrou com atestado médico e não foi!
    Carol e Lê competiram sem arbitros do Brasil (imagina?!)
    Além disso Carol nunca competiu uma copa do mundo nem um mundial. É uma ginasta desconhecida no mundom. Ainda assim, desconhecida e sem árbitro, fez uma média de 51750 (compare as medias das brasileiras em copas do mundo). E conseguiu Isso em um evento de rigor olímpico porque todos sabem que universiade é um ensaio para as olimpiadas com participação de grande parte das tops do mundo…
    Como pai da Carol, e árbitro que sou, agradeço suas considerações, mas era preciso que você soubesse como as coisas aconteceram… e as propostas das séries (a expressão deve acompanhar a ideia guia).
    Carol e Lê fizeram o que estava ao alcance delas, pois até a convocação delas se deu em cima da hora, menos de um mês para se preparar para um evento desse porte.
    Abraços

  2. princeinred diz:

    Cara, eu agradeço de coração o comentário falando sobre a situação da Carol, especialmente vindo do pai. Acredito que ninguém além de você pode saber como foi a situação da competição e a situação dela no ginásio/tablado. Além do que, é uma coisa que eu sempre digo por aqui, é muito fácil a gente comentar do conforto da nossa casa, as coisas são muito mais simples pela tela da TV/computador.
    Ao mesmo tempo, estando longe do que acontece no tablado e indiferente a situação da ginasta, eu creio que a análise que a gente faz daqui se torna diferente também. Claro, eu não vou nem comentar os aspectos técnicos de uma série, afinal você é árbitro e deve saber melhor do que ninguém o que se passa por lá, mas eu, como profissional da dança, posso lhe dizer que, independente do sentido da música que a Carol utilizou, independente do gênero que estava para ser representado, ela não me convence nas séries. Corporalmente, como eu falei, é óbvio que ela é infinitamente superior a Letícia, talvez melhor do que outras ginastas que nós temos no cenário mundial, mas na hora de entrar no tablado e defender as séries, existe uma lacuna grande, um vazio, uma ausência nas séries da Carol, e eu falo isso com o maior respeito do mundo.
    Pra quem não vê ela competir muito, afinal as meninas que não são as duas principais saem a competir muito menos, a impressão que eu tenho da Carol é sempre a mesma. Falta luta nas séries dela. Talvez seja até na escolha musical, ou no trabalho coreográfico, não sei, falta alguma coisa. Aquela força que você vê na execução dos movimentos, ou quem sabe uma feição forte e expressiva – que é completamente diferente de um rosto em descanso – algo que exige talvez aquele empurrão final para sair tudo lindo.
    Tomo por exemplo a série de maças, eu vi a Carol sorrir o tal do sorriso sutil por duas vezes, mas quase na duração da primeira série coreográfica inteira ela ficou imóvel no rosto, e pra mim parecia quase pânico aquilo. Claro, isso pode se dever ao momento, pressão da competição, existem infinitos fatores que acorrem quando as meninas entram em quadra, e você sabe deles melhor, mas se ela tem uma chance de competir, de representar, que seja o estado, o país, ou o próprio trabalho dela, ela precisa entrar a morrer desde o primeiro segundo da música e sair da quadra a morrer. Figurativamente.
    Não que isso signifique descontrole – e eu dou o exemplo da série do conjunto brasileiro de maças e arcos no AA do Pan. Foi uma das apresentações mais controladas delas, quem até estática demais em alguns momentos, mas ainda assim havia muita força por trás de cada movimento, era possível ver como ela estavam dando tudo que tinham.
    Isso não é apenas uma coisa que eu vejo só na Carol, muitas outras ginastas põe uma faceta para competir, ao invés de serem naturais, se deixarem sentir. Existe uma coisa tão bonita no movimento natural da própria ginasta, na segurança que ela deve deixar fluir pelo próprio corpo, fazer as suas séries sentindo o próprio corpo – não que se deixar sentir seja sinônimo de desconcentração.
    Eu digo tudo isso como opinião pessoal, claro. Não faço a mínima do que se passa na cabeça de um juiz ao ver as séries da Carol, ou na cabeça dela ao executar elas. O que se passou na minha foi essa coisa de ver a Carol indo por um lado, e a série e música indo por outro. Talvez eu esteja equivocado ou baseie a minha experiência e apreciação em elementos que não importem tanto para uma avaliação objetiva do esporte.
    E claro, eu espero não ter ofendido em algum momento, pois não foi o meu objetivo. Como eu disse, a minha avaliação parte de um outro planeta, e dificilmente vai levar em conta o que ocorre no tablado de uma competição ou no cotidiano de uma atleta. Mas eu também não consigo desver as coisas que vi, e não sentir o que sinto quando vejo uma série.
    Muita sorte pra Carol na vida dela como ginasta!
    Abração!

  3. Flávio diz:

    Respeito sua opinião, e falarei para ela suas dicas… mas GR não é dança, é trinomio corpo aparelho e música, a expressão deve ser sutil, o código até despontua caso venha a ser teatral, pantomima…
    Não quero te convencer ta?! É só pra dizer que Kanaeva, por exemplo, a campeã das campeãs era muito sutil nas expressões (na verdade nem tinha expressão)… Yanna, quase nada… Mamum (nem se fala, sopa de xuxu)… e tiram notão! GR é diferente, Carão é legal mas tem uma medida…
    E realmente não estou a defender minha filha… Realmente acredito que tendo em vista o nível da competição, as condições que competiu, falta de árbitro e tudo mais que já citei achei o score muuuuito bom! A maior parte das ginastas brasileirias que estouram 16.000 no Brasil lá fora ficam entre 13000 e 14000… e nao somam mais que 56000, creio que só Angel já passou dos 60000 lá fora..
    Em sua primeira competição de tao alto nível Carol foi muito bem, notas média 13000 e total de 51750 cometendo erros… e perdendo dificuldades, que aliás, é o forte dela…
    Estamos felizes… se a CBG der novas oportunidades, tenho certeza que o score dela vai subir… em um torneio amistoso na França 2014 Carol fez 15500 na bola, basta cravar!
    Segue o vídeo de Albagne-França (tb sem árbitro do Brasil na banca rsrs)
    Muuuito obrigado pelas dicas e por desejar que Carol melhore… no meio da GR é tão difcil encontrar gente que deseja o bem…
    Parabéns pelo blog!
    Sucesso!

  4. princeinred diz:

    Eu acho que essa conversa entre crítica e ginasta é uma coisa bastante importante, e eu completamente entendo a forma como você se importa com a filha, não se sinta mal por sequer querer defender ela.
    Mas assim, até a própria Kanaeva teve seus maus momentos em competições, só que ela própria aprendeu a se sentir naturalmente na quadra. A Mamun e a Yana também, ainda que a Yana tenha o que crescer.
    Dança e expressividade NADA tem que ver com carão. Isso é coisa de Carnaval e desfile de escola de samba, quem disse que carão quer dizer expressão está mais do que errado. A cara não é o corpo todo, e ainda que eu tenha falado do rosto da Carol eu também falo do corpo. Assistindo ao vídeo aí em cima, é possível ver os momentos em que ela consegue se sentir confortável em executar a coreografia, e os momentos em que ela acerta a coregrafia por memória muscular, sem expressar absolutamente nada pra mim. E isso de ver o movimento do corpo, dos braços, não só o rosto.
    Mas é aquilo que eu te falei, e você ressaltou, a visão que os juízes tem em relação a expressão e dança e sutileza é diferente da que seria aplicada a uma competição em dança, e diferente do que eu considero ser expressão ou não.
    Pra se chegar a um momento em que o corpo e a mente se combinam para chegar ao ápice físico e expressivo, provavelmente é um estágio da ginasta que todas elas querem chegar. Isso não quer dizer que elas não possam trabalhar nisso enquanto percorrem o caminho.
    Abração e tudo de bom!

  5. Flávio diz:

    Eu entendi… juro! Já passei as observações pra ela… Só que a gente precisa lembrar que na GR este processo é mais lento porque tem a atenção voltada para os aparelhos… pode ver que normalmente as meninas se soltam quando ainda são pequenas e fazem mãos livres. Procure um video da Carol aos 9 aninhos, mãos livres e observe…
    Viu o vídeo da França?
    Forte abraço

    • princeinred diz:

      Sim, eu vi o vídeo. E entendo sim que o processo seja mais lento, afinal o manejo de aparelho e os elementos de dificuldade corporal ainda pesam mais na pontuação do que o resto. Mas como eu falei, chega a um certo estágio que deveria independer uma coisa da outra. Mas fico feliz que a gente pode conversar sobre isso.
      Abração.

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