GINÁSTICA RÍTMICA – DOSSIÊ DOS CONJUNTOS – 2015

Então, agora que nós terminamos por completo a competição dos Jogos Pan-americanos, eu queria juntar aí as informações das competições de conjuntos do ano todo para mostrar para vocês o que eu descobri nas notas e na evolução das seleções. Claro, é um tanto difícil de comparar o julgamento dos juízes entre uma competição em outra, mas se existe uma disparidade tão grande entre elas, será que esse julgamento se torna justo ou não?

De qualquer forma, eu não estou aqui para denegrir a imagem de ninguém, só vou encher vocês de fatos e vídeos para acompanhar.

Já aviso que esse post é bem grande e bem difícil de compreender do início ao fim, mas pra quem quer aprender um pouco mais sobre as pontuações da ginástica e quem sabe descobrir o que acontece durante o ano, eu vou mostrar um pouco de matemática aqui pra vocês.

A análise desse post se baseia em todas as competições que os conjuntos do Brasil, Canadá e Estados Unidos fizeram durante o ano de 2015, desde o começo até o Pan.

Vamos começar?

CONJUNTO DE 5 FITAS

A melhor apresentação de cada conjunto nesse aparelho nesse ano colocaria as posições dos países assim:

1 – Canadá – 15,800 – D: 7,750 E: 8,050 (GP de Berlin)

2 – Estados Unidos – 15, 583 – D 7,750 E: 8,133 P: 0,300 (GP de Thiais)

3 – Brasil – 15,000 – D: 7,500 E: 7,500 (Toronto 2015)

Uau, mas o Brasil ficou por último, como assim? Como assim? Ótima pergunta. A primeira grande diferença que a gente pode ver aqui é que os dois conjuntos acima do Brasil tiraram notas de execução mais altas. Outra coisa que a gente pode ver é que eles tiraram notas de dificuldade levemente mais altas, apenas 0,25 acima do Brasil no Pan.

Mas se esses dois países tinham notas assim grandes como que eles não ganharam o Pan.

A primeira resposta óbvia é a de que a arbitragem internacional é um festival de inconsistências. Se a gente for assistir os vídeos e fazer uma análise rápida a gente vai ver que não tem diferença gritante nenhuma entre os conjuntos, ou digo ainda mais, eles só conseguiram essas notas porque a arbitragem nos GPs é bem mais leniente com as competidoras, coisa que no Pan não foram.

Tanto que se a gente for fazer aí um comparativo, a melhor nota que as americanas conseguiram no Pan foi um 14, 600 e as canadenses um 12,817. Claro, elas tiveram falhas nessas competições, mas ainda assim nenhuma falha que justificasse uma queda assim tão grande na pontuação, principalmente o Canadá.

Nesse ponto, eu tenho que realmente dizer que a arbitragem do Pan foi bem mais dura com as competidoras.

Agora, a gente vai ver os vídeos dessas melhores séries, na ordem de pontuação, e vocês podem tirar suas próprias conclusões quanto à veracidade e justiça das notas.

Então, depois de ver os vídeos, quem será que deveria estar na frente de quem em uma competição com essas exatas séries? Eu sei que a gente não pode exatamente comentar com a maios indiferença nesse quesito, afinal a gente sempre vai ser um pouco levado pela paixão por nosso país, mas se eu fosse para avaliar ainda assim, eu diria que o Brasil ficaria em primeiro, Canadá em segundo e os Estados Unidos em terceiro.

As americanas definitivamente tem o melhor corporal dos três países, mas no resto, elas perdem em todos os quesitos: montagem da série, dificuldades com o aparelho, manejo do aparelho, aparência de conjunto. Tanto o Canadá quanto o Brasil realmente passam essa ideia de conjunto nas séries, enquanto as americanas não conseguem demonstrar isso para mim.

Claro, a gente pode ver como as séries dos outros países, mesmo com erros durante a execução, tem notas mais altas que o Brasil, que fez menos erros. Isso é pra mostrar como a arbitragem nas competições ao redor do mundo é diferente.

CONJUNTO DE ARCOS E MAÇAS

Nesse conjunto nós temos aí um pódio desse jeito, com as melhores notas dos países esse ano:

1 – Canadá – 16,000 – D: 8,050 E: 7,950 (GP de Berlin)

2 – Brasil – 15,433 – D: 7,700 E: 7,733 (Toronto 2015)

3 – Estados Unidos – 14,983 – D: 7,450 E: 7,533 (Toronto 2015)

Aì a gente ainda vê as canadenses arrasando nas notas – olha que no Pan elas competiram uma série bem limpa de arcos e maças e não chegaram aos 14. Dá pra dizer que é bem óbvio que o GP de Berlin teve umas notas bem malucas. O próprio Brasil, com duas quedas teve um 15,200.

Já no Pan a gente viu tanto as brasileiras quanto as americanas competindo a melhor série delas no ano, colocando em perspectiva a diferença nos dois conjuntos. Enquanto isso o Canadá ficou lá pra baixo, uma coisa que de certa forma me surpreendeu, mas por outro lado não.

Os vídeos seguem aí pra gente ver.

Nessa série em particular eu acho que o Brasil ainda deveria ter um pouco de margem maior, afinal as americanas não tiveram falhas graves, mas a execução de duas dificuldades corporais de valor alto ficou meio frouxa pra mim. Um equilíbrio de 0,5 e uma rotação de 0,8 tiveram falhas de execução bastante grandes a meu ver, por isso essa nota não deveria ser assim alta.

Já as canadenses, fazem uma série bastante interessante do ponto de vista da composição e competição, porque elas foram bastante limpas. Porém, me parece óbvio que elas não se comparam ao trabalho que as brasileiras fizeram com o conjunto misto.

De novo, eu sei que isso parece que nós estamos aqui só falando dos conjuntos e comparando com o Brasil, quando nós somos brasileiros e não poderíamos fazer essa avaliação assim tão boa, mas não tem como negar que quem conhece um pouco melhor a GR pode dizer sem sombra de dúvida que esse conjuntos não deveriam estar assim enroscados nessa classificação.

Mas a gente vai ter a chance de ver esses três conjuntos competindo uns com os outros na Copa do Mundo de Sofia, menos de um mês de agora. Vamos poder ver o quanto essas notas internacionais significam e o quanto eles podem ser comparados na mesma competição. Acho que vai ser bem interessante ver isso sendo avaliado por uma banca internacional em uma Copa do Mundo, onde a arbitragem é menos liberada nas notas.

Sem falar que não vai haver uma forte concorrência entre esse três países, escondidos dentre os melhores do mundo, por isso eu acho que a gente vai ter uma boa chance de ver elas competindo frente a frente em solo imparcial.

Pra quem quer fazer uma análise completa das pontuações desses países, eu indico aqui embaixo links com resultados de várias competições que eles participaram, junto com uma coleção de vídeos para vocês verem – acreditem em mim, é bem interessante fazer essa comparação toda.

GP de THIAIS

http://www.grandprixthiais.fr/medias/files/finale-5-rubans.pdf

http://www.grandprixthiais.fr/medias/files/finale-6-massues-et-2-cerceaux.pdf

WC LISBON

http://rg4u.clan.su/forum/32-1717-7#70068

WC PESARO

http://www.rgworldcup-pesaro.it/public/risultati/worldcup-group-allaround.pdf

GP BERLIN

http://www.rsg-in-berlin.de/wp-content/uploads/2015/05/BM2015_Results-Group_all-around.pdf

http://www.rsg-in-berlin.de/wp-content/uploads/2015/05/BM2015_Results-Groups-5ribbons_310515.pdf

http://www.rsg-in-berlin.de/wp-content/uploads/2015/05/BM2015_Results-Groups-6clubs-2hoops_310515.pdf

PAN AMERICAN GAMES

http://results.toronto2015.org/IRS/resTO2015/pdf/TO2015/GR/TO2015_GR_C73B_GRW400900.pdf

http://results.toronto2015.org/IRS/resTO2015/pdf/TO2015/GR/TO2015_GR_C73F_GRW411100.pdf

http://results.toronto2015.org/IRS/resTO2015/pdf/TO2015/GR/TO2015_GR_C73F_GRW412100.pdf

Pronto aí! Um zilhão de vídeos pra assistir e comparar.

=D

Anúncios

17 thoughts on “GINÁSTICA RÍTMICA – DOSSIÊ DOS CONJUNTOS – 2015

  1. micael oliveira diz:

    Amei o post parabens… realmente esses tres paises são ótimos mas ainda temo do Brasil competi o mundial com a Russia, Bulgária e Bielorrussa que são potencias na GR, tomara que o Brasil se saia bem….

    • princeinred diz:

      Eu acho que é bastante óbvio que não tem comparação entre o Brasil e esses times do primeiro escalão. Como a própria Camila fala a gente tem que pensar numa classificação entre os 10 melhores, que definitivamente pode estar a nosso alcance. Acho que qualquer coisa além disso é um lucro grande. Ficar entre os oito melhores daqui até a Olimpíada seria o sonho.

      • micael oliveira diz:

        exato … mas no seu ponto de vista você acha que o Brasil tem chances de ficar entre os 10 pras olimpíadas?

      • princeinred diz:

        Se as meninas acertarem as duas séries, executar sem nenhuma falha grave, ficar entre os dez é não apenas possível, mas provável. Porém, se elas errarem, eu não vejo a arbitragem leniente com o Brasil. Elas tem que fazer a competição da vida delas, erros não podem ser feitos.

  2. severa diz:

    acho que o Brasil perdeu respeito, na época da Barbara nossa seleção era elogiada e tirava notas altas até..Hoje, a tendencia mesmo é puxarem sardinha de EUA e Canadá..

    • princeinred diz:

      Eu acho que o Brasil nunca teve muito respeito na GR pra começo de conversa – é só lembrar as Olimpíadas de 2000. Mas o período de transição entre a Bárbara e a Camila, de 2005 a 2010 o Brasil perdeu um pouco do crédito internacional sim.

    • princeinred diz:

      Eu baixei todos os vídeos do Pan, de várias transmissões e em HD pra assistir a hora que eu quiser, então eu não posso dizer que não estou fazendo o mesmo! =D

    • princeinred diz:

      O menino que fez as fichas conseguiu se comunicar com os árbitros que ajudaram a montar a série junto com a Camila e ele vai refazer as fichas. Quando elas ficarem prontas a gente posta – mas eu já adianto que a dificuldade das séries foi revista, e pelo que ele me adiantou as duas partem de 10. =D

      • vinicius diz:

        Uma duvida, as séries podem valer mais de 10 pontos? Pq a série da Rússia e Itália parecem q parte de mais de 10. Existe alguma regra q determina q só vale 10 dificuldades ou só as 10 primeiras dificuldades? Se a série do Brasil parte de 10 como pode o Brasil perder tantos pontos em dificuldade, se não cometeu muitas falhas graves no pan? Inclusive li em algum lugar q a Camila disse q seria dificio o Brasil brigar por medalha no mundial, se a série parte de 10 não seria necessário trabalhar a execução para brigar por medalhas?

    • princeinred diz:

      Eu vou responder aqui em cima porque lá embaixo ele não tá aceitando. Mas deixa eu explicar como isso funciona – vai ser um pouco comprido, okay? Pra se calcular a nota de dificuldade se avalia o que as ginastas colocaram na ficha pra se chegar a nota final, claro, precisa avaliar se todas as dificuldades escritas foram realizadas perfeitamente – são cinco dificuldades com troca, cinco dificuldade corporais, um lançamento com rotações, e depois tem as colaborações e passos de dança. Todos tem seus valores de dificuldade na ficha e a adição de uma elemento a outro e combinações e tudo mais formam a nota final. O que acontece é que se algum elemento não for feito corretamente ele se anula ou tem falhas na execução, ou anula vários outros elementos junto com ele – inclusive o manejo do aparelho e suas falhas, todos eles acabam prejudicando outros elementos conectados.
      Ou seja, me surpreendeu que as séries do Brasil partam de dez nesse ano, só que existe uma diferença entre a construção da série do Brasil e dos países de ponta. A nossa dificuldade chega a dez na ficha por causa de um monte de combinações de elementos nas trocas e dificuldades em geral. A gente vai adicionando um tiquinho em cada lugar pra fechar os dez, coisa que nem todos os conjuntos grandes fazem porque eles tem dificuldades corporais ou de aparelho mais altas – em alguns casos, okay? – e isso ajuda a nota ficar mais grande sem tantas adições.
      Agora, eu acho que existe aí um período de preparação para um conjunto subir degraus na GR. Acho difícil um conjunto como o nosso já sair superando notas acima dos oito nas duas bancas, mas eu diria que a gente tem uma chance de fazer isso nas próximas competições, e a partir daí é só subir. Se a gente tivesse tempo aqui pra partir pra uma análise comparativa entre o Brasil e outros países, tanto na dificuldade como execução, a gente iria ficar uma noite inteira discutindo.
      O que eu posso te garantir é que as notas do Brasil no Pan ficaram abaixo no esperado para mim, ainda que a performance dentro do tablado tenha sido MUITO além das minhas expectativas. Acredito que a gente tem que esperar aí a próxima Copa do Mundo e depois o mundial pra ver como as nossas notas ficam – mas eu te dou um exemplo do que aconteceu no Pan e no Mundial com o Nado Sincronizado do Brasil, claro que nada tem a ver um esporte com o outro, mas ficou bem claro que no Pan as americanas ganharam suas notas um pouco acima do Brasil e logo no mundial, duas semanas depois, elas já ficaram abaixo em algumas provas, ou muito mais perto do que estavam no Pan, sem falar que as notas do Brasil subiram por lá também, uma coisa que eu acredito que vai acontecer com as notas do conjunto já na Copa do Mundo de Sofia, caso as meninas venham a competir como no Pan, com poucas falhas.
      Claro, para conquistar medalhas o Brasil teria que treinar muito forte e ter amigos na banca de arbitragem ao redor do mundo, coisa que a gente não tem. Sem falar que pra subir degraus no ranking a gente precisa competir sem falhas e impressionar os juízes. Acho que séries pra isso a gente já tem, só tem que competir com tudo, sem errar, e esperar pelo melhor.
      Vou te dar um exemplo disso: durante o último ciclo olímpico a Espanha aumentou a nota das séries em praticamente um ponto em nove meses, sem mudar a série em nada, nem a execução da série. Acredito que tenha sido porque elas foram relativamente limpas e as juízas começaram a dar nota para elas. Então nesse ciclo elas já ganharam duas medalhas de ouro em mundiais e mais algumas outras perdidas pelos anos. Desde então elas só subiram, sendo que nos ciclos anteriores elas não estavam tão acima do Brasil. Acho que a gente tem que sair a competir sem errar e dar o nosso melhor que as notas saem.

  3. vinicius diz:

    É bacana saber q nosso conjunto tá partindo de 10. O blog também é bem bacana, com certeza é nota 10. Mais falando a verdade eu acho a série da Rússia e de muitos outros países uma correria alucinada, e nada adequada a música, pra mim ela só fazem dificuldades, so falta elas lançarem massa pela bunda, kkkkkk, tenho a impressão q qualquer música q fosse tocada a coreografia seria a mesma. O mais estranho q achei foi a parte final da série de fita da Rússia q elas gastam muito tempo enrolando a fita, parece até q estão costurando no meio da série. Em compensação na série do Brasil a gente consegue ver a música se materializar na coreografia. Não sei se isso vale pontos mais deveria valer.

    • princeinred diz:

      Ah, obrigado por comentar e ler o blog! Eu concordo com você sobre algumas séries parecerem uma correria, e sinceramente acho que ainda falta um pouco mais de rigidez no código que obrigue os conjuntos a explorar mais esse lado artístico e de conexão com a música, só que claro, a gente ainda segue um código, e se você faz tudo certo por ele não tem muito o que fazer. E aquele final da Rússia é uma originalidade, que eu gosto bastante por sinal, mas digo que também acho que elas ficam tempo demais por aquele canto. Ainda assim é uma série bonita, mas como você diz, conexão com música zero – e olha que eu já digo isso há bastante tempo de que essa ligação música e movimento deveria ser mais evidente e não só um fingimento. Mas fazer o que…

    • princeinred diz:

      Porque a soma da classificatória se dá com as três melhores notas, por isso a soma é diferente. Apenas na final d AA se conta todas as notas.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s