GINÁSTICA RÍTMICA – SERIA A CORDA A OVELHA NEGRA DA GR?

 

rope-leg_1477097iFoto: AFP/GETTY. Evgenia Kanaeva.

Quando alguém pergunta a uma pessoa qualquer se ela conhece a Ginástica Rítmica, provavelmente ela dirá que não. Mas se ela disser que sim, ao perguntar se ela conhece algum aparelho, o que ela responderia? Fita, muito provavelmente. Nós sabemos que são cinco, na sua ordem de apresentação: corda, arco, bola, maças e fita.  Por ironia a corda encontra-se em primeiro lugar na sequência de aparelhos, mas parece que ela passou para o último lugar, pelo menos nos planos da Federação Internacional de Ginástica – FIG. Foi em Pequim em 2008, a última vez que vimos este aparelho numa competição olímpica. O grande público talvez não se recorde, mas quem acompanha este esporte mais de perto sentiu falta desse aparelho nos últimos anos.

A corda permaneceu no individual adulto até o final de 2010, nos dois primeiros anos daquele ciclo que iniciou em 2009 e se encerrou em Londres. No final de 2012, a FIG publicou o novo Código de Pontuação que vigoraria a partir de 1° de janeiro de 2013. Então percebemos que a corda ficaria de fora das competições individuais e de conjunto adulto pelo menos até o final de 2016, ou seja, mais uma olimpíada fora. Trago esta citação interessante extraída de um site norte-americano:

“Se a ginástica rítmica é a ovelha negra da família ginástica, em seguida, a corda é a ovelha negra dos aparelhos. Pobre corda que está atualmente em processo de ser eliminada do esporte completamente. A palavra na rua é que um “lenço” vai tomar seu lugar. Então, se você estava ansioso para ver alguma manipulação da corda nestes jogos (Londres 2012), você está sem sorte. Se você sair com lenços, é só esperar algumas Olimpíadas.” (Lindsey Green, 2012)

Seria mesmo a corda a ovelha negra dos aparelhos? O que se sabe (pelo menos extra-oficialmente) é que a FIG teria excluído a corda do programa de aparelhos porque a mesma não era interessante visualmente na TV, não era visível. Não parece uma justificativa plausível, ao contrário, parece ser um problema fácil de resolver, não? A cor do aparelho ou um fundo escuro resolveria este problema. Outra questão pode ser levantada: talvez se a GR aparecesse com mais freqüência na TV e não somente a cada 4 anos, as pessoas não reconheceriam os aparelhos mais facilmente?

Reconheço que o manejo da corda não é fácil, mas são inúmeras as possibilidades que ela proporciona, cito algumas: passar através, saltar, lançamento/recuperação com ela estirada, dobrada, pela ponta, pelo meio, sem as mãos, em uma parte do corpo etc.

Há quem diga que o excesso de saltos que antes era um elemento obrigatório deste aparelho tenha causado lesões entre as ginastas, aumentando ainda mais a chance da FIG abandonar este aparelho. Ora se isso fosse mesmo um problema, a exclusão do Grupo Corporal Obrigatório de cada aparelho não resolveria? O que acabaram por fazer no Código de 2013, mas não foi o suficiente para trazer a corda de volta.

E nos conjuntos? Outro problema seria a falta de adaptabilidade da corda nos conjuntos. Na série simples tivemos o prazer de ver 5 cordas em Pequim em 2008 e tivemos um exemplo do uso deste aparelho nas competições de conjunto. Mas e as séries mistas, entre 2009-2010 tivemos a oportunidade ver este aparelho testado junto com a fita numa combinação de 3 fitas + 2 cordas. O ponto positivo é que as(os) técnicas(os) e ginastas tiveram a chance de utilizar o potencial deste aparelho junto de outro também muito difícil de manejar que é a fita e fizeram isso muito bem. Mas não foi o que o Comitê Técnico – CT – pensou, parece que foi mais um ponto negativo para a corda, e a gota d’água para a FIG não retornar com a mesma no ciclo seguinte e descartar essa combinação. Optando então por repetir no Rio de Janeiro em 2016 os mesmos aparelhos de 2008: arcos e maças, só que numa proporção diferente de 3 pares de maças + 2 arcos, e pasmem, novamente em 2020 em Tóquio teremos as mesmas maças e arcos juntas novamente. O que fica claro é que o arco é sem dúvida o aparelho preferido do CT, coincidência ou não ele esteve presente nos conjuntos em todas as olimpíadas desde que o conjunto entrou no programa olímpico em Atlanta em 1996.

E o tal “lenço”? Pelo menos a idéia de um “lenço” foi abandonada, ou não passou de uma mera especulação. Muito usado nas apresentações de gala não imagino uma competição com um aparelho deste tipo, pois tornariam difíceis os lançamentos e estaria em maior contato com o corpo.

A boa notícia é que a corda voltou ao programa adulto no conjunto adulto do novo ciclo 2017-2020. Permanecerá de 2017 a 2018 nas séries mistas (3 bolas + 2 cordas) para depois retornar à sombra que durará 6 anos, podendo retornar quem sabe no ciclo 2025-2028. Acredito que para um esporte tão versátil como é a Ginástica Rítmica deixar a corda somente para as meninas do juvenil é no mínimo um desperdício. É preciso dar mais espaço para este aparelho, só assim vejo a possibilidade dele deixar de ser a ovelha negra e integrar a “família” novamente.

Fontes: http://www.telegraph.co.uk/

http://deadspin.com/

http://pt.wikipedia.com

http://www.fig-gymnastics.com

Jorge Junior do Fórum Ginástica Rítmica Brasil.

Inscreva-se: http://ginasticaritmicabrasil.forumbrasil.net

 

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25 thoughts on “GINÁSTICA RÍTMICA – SERIA A CORDA A OVELHA NEGRA DA GR?

  1. princeinred diz:

    Uzbequistão, Alemanha, Azerbaijão, Grécia, Finlândia, Coreia do Sul e Brasil – com a chance da Rússia participar já que é convidada, e caso não for, quem é chamado pro lugar é o Canadá.

  2. Fernando diz:

    Três perguntas:
    No evento teste são classificados 4 conjuntos?
    Foi adicionado ao código de pontuação o butterfly da Angélica?

    Você chegou a ver as novas meninas que foram selecionadas para o conjunto?
    Não achei legal a saída da Bia Pomini e Débora Falda.

    • princeinred diz:

      Até agora já tem dez conjuntos classificados, então a ordem básica é classificar 3 + o Brasil, em caso do Brasil não ficar no top 4.

      Ainda não foi divulgado a adição do manejo dos aparelhos no salto da Angélica, pelo menos não que eu saiba.

      E eu vi sim – ainda que não tenha publicado aqui. O que eu posso dizer, com tudo que a Bia fez durante os últimos anos pelo conjunto, creio que houve um motivo muito grande pra Camila tirar ela da seleção. Agora, a Débora já não tinha muito o que tirar, infelizmente.

  3. Fernando diz:

    Realmente deve ter um motivo muito grande, até porque ela estava no projac junto com as outras meninas do conjunto agora no final do ano.
    Também estranhei a saída da Ana Paula, não sei se por lesão.
    Tinha visto em algum lugar que a Angélica estava treinando com o conjunto, mas não foi selecionada. Esperava muito que ela pelo menos entrasse no conjunto para participar das Olimpiadas. O fato dela não ir para os Jogos me deixou muito triste.

  4. princeinred diz:

    Eu não sei se ela era uma das ginastas para ser selecionada, creio que estava lá mais para aproveitar a vinda das búlgaras para o Brasil. E bom, eu falei outro dia com alguns amigos sobre essa nova seletiva, e, quem treina as meninas é a Camila. Eu duvido que ela iria descartar uma ou duas se não tivesse motivo, afinal de contas ela mais do que ninguém quer chegar a uma boa colocação nas Olimpíadas, e ela sabe o quanto essas meninas vão ter que trabalhar pra isso.

    • princeinred diz:

      Eu disse no sentido de ver alguma cosia diferente. Eu não vejo. Algumas colaborações são um pouco mudadas, mas no mesmo estilo – o uso das maças, em especial, é bem interessante, mas elas tem umas 4 versões de colaborações parecidas, e tudo na mesma série. Sem falar que elas estão bem aquém fisicamente do que estavam. Não posso negar que elas tem coisas interessantes, mas é um conjunto que não me chama muito a atenção, especialmente por causa das notas que elas tem ganhado.

      • micael oliveira diz:

        a bom kkk…eu tbm não me surpreendi tanto, mas to muito ansioso pra ver as séries do brasil… essas eu quero ver

    • princeinred diz:

      Pelo que eu saiba a ginasta brasileira que vai pro ET é a Natália. As outras ginastas que participam são:

      Uzbekistan 1 (Elizaveta Nazerenkova)
      Germany 1 (Jana Berezko-Marggrander)
      Italy 1 (Veronica Bertolini)
      Kazakhstan 1 (Sabina Ashirbayeva)
      Austria 1 (Nicol Ruprecht)
      Finland 1 (Ekaterina Volkova)
      Uzbekistan 2 (Anastasiya Serdyukova)
      China 1 (Liu Jahui)
      Canada (Patricia Bezzoubenko)
      Romania 1 (Alexandra Piscupescu)
      Finland 2 (Jouki Tikkanen)
      Kazakhstan 2 (Aliya Assimova)
      Romania 2 (Ana Luiza Filiorianu)
      Italy 2 (Alessia Russo)
      Hungary (Dora Vass)
      Mexico (Karla Diaz Arnal)
      Estonia 1 (Viktoria Bogdanova)
      Germany 2 (Laura Jung)
      China 2 (Xu Xiaolan)
      Armenia (Lilit Harutyunyan)
      Estonia 2 (Olga Bogdanova)
      Czech Republic (Monika Mickova)
      Brazil (Natalia Gaudio)

  5. Otavio diz:

    Que pena a Angélica n participar do ET, na minha opinião ela deveria participar já q é da casa e a Gaudio ja tá classificada, mais fazer o que, são regras da FIG.
    Uma dúvida afinal quantas ginastas teremos no individual? Pq ja temos 24 classificadas, mais a Gaudio e a Legote temos 26. O ET vai classificar mais quantas vc sabe?

    • princeinred diz:

      Já tem 15 meninas classificadas. Com as adições das ginastas por continente, mais as classificadas no ET mais as outras que serão adicionadas é pra ser 26 ginastas no total. E 14 conjuntos.

    • princeinred diz:

      Ainda não tem nada certo certo, mas o Brasil já se inscreveu para a Copa do Mundo de Lisboa, que eu saiba. O resto não sei, mas até sair com certeza, demora…

    • princeinred diz:

      No Individual continua a mesma ordem de aparelhos. Já no conjunto nós teremos uma sequencia assim:
      17-18: 5 arcos e 3 bolas e 2 cordas
      19-20: 5 bolas e 3 arcos e 2 maças
      21-22: 5 maças e 3 arcos e 2 fitas
      23-24: 5 fitas e 3 bolas e 2 maças

      • bubblegothbitch diz:

        nossa nunca tinha visto maças e bolas juntas, bem legal essa inovação, achei muito repetitivo o misto de arcos e maças, mas ok né. acho que o conjunto de cordas e bolas vai lembrar as séries de 2002

  6. bubblegothbitch diz:

    eu vi um vídeo da dificuldades do conjunto brasileiro no mundial de 2015 e o resultado foi 10.000, mas os juízes deram notas por volta de 8.000. eu não entendo direito isso, você poderia me explicar?

    • princeinred diz:

      Eu acho que a resposta mais simples é a de que a maior parte dos conjuntos do top 10, incluindo o Brasil, tem séries que valem 10 pontos em dificuldade. Só que tudo vai depender de como vai ser a execução da dificuldade na hora da competição. Na maior parte das vezes um simples detalhe já tira uns pontinhos da nota de dificuldade, como um salto sem a forma bem fixada, um tropeçãozinho em um dos giros, uns passos a mais na hora de executar uma colaboração pra pegar o aparelho – se tudo não é executado exatamente como pede na ficha, as notas não chegam a dez pontos.

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