GINÁSTICA RÍTMICA – EVOLUÇÃO DO CONJUNTO BRASILEIRO EM 2016

Bom, eu já começo o post com explicações. Eu não postei nada desde o GP de Moscou porque eu não tive vontade. E também porque eu vi algumas coisas que me tiraram o foco da GR – a maior parte delas por causa de fãs que não querem ver o sucesso do conjunto.

Mas enfim, cá estou para analisar as primeiras três participações do Brasil em competições. O que eu vou escrever aqui é um pouco análise das séries, um pouco minha opinião sobre elas, e que fique bem claro, qualquer crítica é completamente construtiva.

Vamos lá!

Assim que as meninas estrearam as séries novas, ou renovadas, eu já expressei minha apreciação por elas. E confesso, assim que vi a nova série de fitas, sabia que iria ser o carro chefe do Brasil nesse ano – e não me enganei.

E pode até parecer que eu sou maluco por dizer isso, especialmente contando que as meninas erraram mais essa série do que acertaram esse ano, mas eu não tenho dúvidas de que é a nossa série forte. Claro, não que o misto não seja, mas eu vou entrar em detalhes mais em seguida.

Então, nosso ano para o conjunto começou lá em Portugal, a primeira de uma série de três competições que o conjunto fez nessas últimas semanas. Elas iriam estrear as séries esse ano, sem falar em colocar no tablado ginastas novas, ou meninas que retornaram ao conjunto, então é certo que teria que ter um tempo para elas entrarem nos eixos.

Bom, a primeira prova era a de fitas em Lisboa, e elas já começaram bem mal, haha. Não sei quais os erros que elas tiveram, mas a nota foi bem baixa, mais ou menos na mesma tônica da nossa estreia ano passado. Eu tenho a impressão de que os erros que aconteceram lá foram algo parecido com Thiais, porque as deduções foram as mesmas, e até as notas parecidas.

Naquela primeira apresentação as meninas tiraram um 13.700 (D – 7.300, E – 7.000, P – 0.600). Não tem vídeos dessa apresentação, então a gente só imagina o que aconteceu, né. Mas tem um tiquinho do treino delas logo antes de sair a competir, e eu coloco ele logo aqui embaixo.

Enfim, elas tiveram falhas e ficaram fora da final. Mas aí competiram no misto, e além de irem bem melhor, tiveram ajudinha da sorte para conseguir que um dos países não fosse tão bem, o que ajudou a gente a entrar na final. E competimos até bem na final, com uns errinhos de execução e uma bobeada maior numa colaboração, mas no mais até que foi.

A gente ficou aí feliz com a participação do Brasil, afinal pegamos final, tiramos um 16 logo na primeira competição desse ano – um 16.400 tanto das classificatórias como na final, o que dá um ânimo pras meninas pois essas notas é o que elas precisam para se firmarem perto das dez. Mas a gente sabe que pra pegar final nas Olimpíadas elas precisam de mais.

Então elas foram pra segunda competição, em Thiais. E lá iriam enfrentar conjuntos que batem de frente com elas, como as americanas, as finlandesas, as uzbecas e as azeris. Eu assisti o treino das meninas, vi elas treinando bem, mas na hora da competição, falhas nos dois exercícios fizeram elas ficar fora da final.

As nossas notas voltaram para baixo dos 16, com um 13.150 nas fitas e um 15.950 no misto, o que nos deixou atrás de todos esses países que são nossos inimigos diretos. Pra muita gente a competição foi uma decepção, e eu não vou dizer que foi minha competição favorita, mas já deu pra ver uma melhora nas séries. As meninas estavam mais na música, as dificuldades mais cerradas, menos passos para pegar os aparelhos.

No geral elas estavam caminhando para a evolução da série, mas parecia que estava lento demais. E já era a segunda competição do ano com desastres na fita, e dessa vez até o misto, o nosso carro-chefe do ano passado teve problemas.

Mas eu queria incluir uma coisa agora, a competição que viria a seguir, a Copa do Mundo em Pesaro, só iria cimentar ainda mais a minha certeza de que na verdade o nosso carro-chefe nunca foi o misto. A gente teve a ajuda da série quando as fitas não dava certo, mas assim que a gente passou a acertar as fitas as notas mudaram – tanto que no mundial a nossa melhor série foi a de fitas.

No entanto, as notas, bom, eu já me manifestei sobre as notas do mundial ano passado.

Então, as meninas foram a Pesaro, acredito que tenham treinado as fitas ainda mais, porque assim que elas competiram, chegaram lá e fizeram a série inteira.

*tem que dar uma ignorada no áudio, mas é que essa imagem é a melhor que eu achei, então…

Na hora em que elas executaram a série, a nota saiu, e lá foi pra cima um 16,750, que poderia ter sido um 17 se elas tivessem acertado outros detalhes da série. Mas a nota me deixou mega feliz. E não teve como negar que elas saíram pra cima nessa série. Dificuldades corporais mais seguras, lançamentos também, colaborações sem grandes falhas, excetuando uns enganches e passos aqui e ali.

E a comentarista e árbitra italiana foi só elogios pra série, falando sobre a alegria das meninas, sobre o bonito final, e a evolução delas, tanto nesse ano como ultimamente. E tiveram sorte também, porque outros países tiveram suas falhas e aí embarcamos em outra final, o que foi bom pra elas terem ainda mais experiência.

Mas aí veio o segundo dia, e eu vi elas mais cansadas, um pouco desconcentradas, mas ainda assim foram bem o bastante para conseguir a melhor nota no misto esse ano, um 16.550.

Claro que poderia ter sido melhor, mas foi bom. Elas passaram as duas séries sem grandes falhas, claro, bastante errinhos aqui e ali, mas nada de aparelhos correndo pelo chão e pra fora do tablado. Ainda que com falhas, elas precisavam executar a série do início ao fim, e foi o que fizeram.

Na final das fitas elas provavelmente tiveram algumas falhas já que tiraram um 16 baixo – mas um 16 de qualquer jeito. Não tem vídeos ainda, mas assim que aparecer um posto.

A gente tem que levar em conta que assim que as grandes competições vierem essas notas vão abaixar pra todo mundo, mas ainda assim os resultados foram ótimos porque nos deixaram próximo de todos os países com os quais nós vamos lutar.

Agora elas voltam pro Brasil pra treinar por duas semanas antes do Aquece Rio, o grande teste antes dos Jogos Olímpicos.

Elas ainda não estão prontas, claro, pois se as Olimpíadas fossem hoje elas talvez nem teria chance de ir pra final. Mas claro, a preparação ainda está longe de ser concluída. Acredito que depois do Aquece Rio a Camila vai ter mais chance de analisar bem como a seleção está e pensar no que precisa ser fortemente trabalhado pelos próximos quatro meses.

Na minha visão, a série de fitas está perfeita do jeito que está. Na hora em que as trocas foram bem executadas, com todos o elementos para elas terem o valor máximo perfeito, quando as dificuldades corporais forem concluídas – nós competimos os melhores penchees da seleção em Pesaro na série de fitas – sem falar em concluir as colaborações, acho que temos uma boa chance de chegar ao tão sonhado 17. Mas claro, não temos lugar pra erros.

Acho que essas competições preparatórias são pras meninas errarem o que der pra consertar o que precisa antes do Rio.

O misto, bom, é uma série boa, vibrante e cheia de energia, mas eu acho que precisa de mais ajuste que o das fitas. Talvez seja porque a série é bem rápida, e me pareceu que ultimamente as meninas devem ter dado mais atenção às fitas para ganhar o tempo perdido com a troca da série.

As dificuldades ainda não estão saindo direito, algumas colaborações também – na minha humilde opinião, a Camila deveria mudar o barco de fogo. Introduzir algum elemento tipo os que elas faziam entre 2000-04. Iria dar uma nova cara á dificuldade, afinal a gente já leva o barco desde 2013, e precisaria mudar.

Já o final um pouco mudado me agradou, porque os malabares eram bonitos, mas se tem como cortar riscos desnecessários sem tirar o valor na ficha, melhor. Claro, creio que os problemas com as colaborações serão adereçados a seu tempo certo, afinal agora o principal é executar as séries perfeitamente.

Acho que estamos mais do que no caminho certo. Por agora é treinar e chegar no Rio no final de Abril com a cabeça firme, buscando estar entre os 3-4 melhores. Acho que seria uma vitória imensa a gente conseguir a vaga na competição – porque ainda que tenhamos  a vaga garantida, se nós ficarmos entre os 3 melhores conjuntos fora a Rússia, ganhamos essa vaga na competição. E acho que assim tem um gostinho bem melhor.

=D

 

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