GINÁSTICA RÍTMICA -A SELEÇÃO DE CONJUNTO NA EUROPA OUTRA VEZ

*nós temos mais uma contribuição do querido Jorge Júnior, já que o autor oficial ficou sem tempo de postar.

Os Jogos Olímpicos se aproximam e o Brasil em sua preparação para os jogos embarcou em mais uma etapa de competições na Europa. Dessa vez duas ginastas que não estiveram nas outras etapas da Copa do Mundo embarcaram junto: Beatriz e Emanuele. Todas na corrida em busca da sua vaga no conjunto para os Jogos Olímpicos. Na primeira etapa em Minsk tivemos poucos vídeos publicados, um do AA misto e um das finais de fitas. As notas das finais foram 16.700 no simples e 16.850 no misto, muito próximas dos 17. No AA o exercício misto a falha mais grave foi a queda da maça da Gabrielle durante o risco, anulando aquela dificuldade. Já nas fitas a apresentação não teve grandes erros e tiraram 16,700, como eram apenas 8 conjuntos estivemos nas duas finais. Na semana seguinte em Sofia, Bulgária, no AA de fitas abrimos a série com dois erros, Gabi e Fran perderam o equilíbrio durante o penché, sendo que a Gabi caiu, anulando toda a rotação. Em seguida um nó na fita impediu que a Gabi fizesse seu lançamento, anulando o risco – o segundo desde Minsk. Então numa colaboração a Gabi não conseguiu recuperar a fita que a Fran lançou, somando 4 erros para ela nas duas competições. No AA misto, o erro mais grave foi novamente uma queda no final do risco pela Gabi – o quinto dela e o mesmo de Minsk – anulando mais uma vez aquela dificuldade, mas de um modo geral tivemos uma boa apresentação, com aqueles erros que fazem parte.

 

Não quero aqui ressaltar apenas os erros das meninas, pois errar faz parte e elas tem crescido muito como conjunto, isso é inegável, porém coube a comissão técnica avaliar o peso desses erros e tentar corrigi-los tomando a decisão mais acertada para a etapa seguinte de Guadalajara. Vale frisar que a volta da Bia teve um peso importante no exercício misto, visto que o final com a Morgana não tava completo, enquanto a Bia consegue lançar as maças em cascata para si mesma e para as colegas, a Camila teve que alterar esta parte e a Morgana fazia um passinho de samba e lançava direto pras outras meninas e a recuperação do arco sem controle visual não tava boa e agora o final ficou mais interessante novamente.

A última etapa antes da volta pra casa aconteceu em Guadalajara na Espanha, marcando a volta deste país na Copa do Mundo que diga-se de passagem foi de longe a mais emocionante de todas, o público não parava um só momento de interagir com as ginastas, passando uma energia muito boa e vibrante. De cara percebemos que a Gabi tinha ficado de fora nas duas séries, se os erros dela nas outras competições foram os responsáveis por essa decisão não sabemos, mas com certeza teve o seu peso. Assim, a Bia que antes era reserva entrou para as duas séries e a Gabi ficou como reserva nos dois exercícios. A série de fitas não foi boa nessa competição. No AA a Jéssica não conseguiu recuperar a fita da Bia durante a colaboração resultando numa queda e mais na frente um lançamento com trajetória imprecisa também da Jéssica durante uma troca falhou e a Fran teve que correr para salvar a fita e voltar a tempo de ir pro seu lugar na formação e iniciar o fouetté. A nota foi 16.500, uma nota razoavelmente boa com estes dois erros. Já no outro no AA de arcos e maças a série foi perfeita, os erros foram os triviais e a nota veio, 17.150 a maior nota do Brasil em todo este ciclo olímpico até o momento. As ginastas cumpriram o seu papel, cumpriram bem as dificuldades e a série fluiu. Na final de fitas a coisa não foi tão boa assim e ao assistir a série parecia que estávamos vendo um replay da qualificatória. A mesma colaboração foi perdida, a mesma trajetória imprecisa na troca e Fran conseguiu salvar novamente – essa é a terceira vez que este problema acontece nesta troca, desde o Aquece Rio – mas teve que desenrolar a fita e não conseguiu entrar no fouetté a tempo e executou apenas 8 das 9 voltas, perdendo esta dificuldade e a Morgana deixou a fita cair durante os passos de dança e isso obviamente refletiu na nota, 15.850.

 

A auxiliar técnica Ekaterina Pirozhkova não poupou a capitã da equipe Jéssica Maier de suas broncas enquanto elas aguardavam a nota. É natural que uma ginasta carregue a culpa pelas falhas no conjunto, mas sabemos que o trabalho do conjunto é em equipe e a responsabilidade é de todas, mas estamos na reta final pela escolha das meninas que irão compor a seleção que vai aos jogos, então tudo será avaliado na hora da comissão técnica decidir. Apesar de ter ficado um clima tenso no ar, a reação da russa nos faz pensar um pouco como é o mundo da GR, que não é só brilho, tem muito suor, dor e sofrimento por trás de toda aquela graça e beleza. Este esporte que busca a perfeição nos movimentos é levado muito a sério na Rússia, país da Ekaterina e elas tem uma forma de treinar diferente da nossa. O que se ouve nos bastidores é que as técnicas russas não são nenhum doce, quando a ginasta acerta está fazendo não mais que a sua obrigação e quando erra podemos ver estampado na cara delas a decepção. Isso nos deixa claro que as russas não estão acostumadas a perder, isso é um fato. Logo é plausível que a russa tenha ficado insatisfeita e reagido de tal forma, visto que ela cansou de ver os mesmos erros sempre, as mesmas colaborações, as mesmas trocas e tenha descontado ali naquele momento em frente às câmeras. O objetivo aqui não é criticar por criticar, mas de observar o que foi bom e o que foi ruim. Errar faz parte, mas não podemos fazer dos erros uma rotina. As russas são muito exigentes quanto a isso e as ginastas do Brasil agora sentem na pele como é o sistema de treinamento diário delas, pois uma coisa é fazer um estágio na Rússia, outra coisa é ser treinado por uma russa todos os dias. Por mais difícil que seja, tudo isso serve como crescimento para elas, tanto no esporte como na vida. Fácil não é e quem acompanha a GR sabe que não é mesmo, mas é bola pra frente e “pra cima!” como a própria Ekaterina disse ao aguardar pela nota do misto. Na final do misto a falha mais notável foi uma queda da maça da Fran durante os passos e isso não impediu que elas continuassem firme, segurassem a coreografia e mais um 17 viesse, foi 17.050 para quebrar o clima e as meninas poderem respirar novamente. Não tenho como negar que a etapa de Guadalajara foi a mais emocionante, com este resultado histórico e a uma organização maravilhosa os espanhóis provaram que são apaixonados por GR assim como nós e as meninas de que estes exercícios são belíssimos e mesmo com toda dificuldade são capazes de executa-lo.

 

Agora as meninas voltam para o Brasil e retornam mês que para a Europa para encerrar as participações na Copa do Mundo. Estão registradas na etapa de Berlim, de Kazan e para a final da Copa do Mundo em Baku no Azerbaijão. As ginastas registradas são as mesmas que competiram agora, se a comissão técnica vai manter esta formação só saberemos às vésperas do embarque. Concluo este texto dando os parabéns à toda a equipe (Camila, Bruna, Ekaterina e todas as ginastas) por estes resultados magníficos e que continuem neste caminho para brilhar ainda mais nas próximas competições.

 

Anúncios