GINÁSTICA RÍTMICA – O BRASIL NAS OLIMPÍADAS DO RIO 2016

Eu já começo esse post dizendo que eu estive afastado da GR por um tempo, e por isso que não tenho atualizado o blog da forma como costumava. Minha vida seguiu um rumo diferente do que eu previa e fiquei sem tempo, mas principalmente, sem inspiração para falar do Brasil, e da ginástica como um todo, por aqui.

Existem inúmeras formas de se seguir a ginástica hoje, especialmente pelas páginas no facebook e foruns da internet, e eu não tenho mais ânimo para estar aqui procurando links e vídeos e fotos para todo mundo – mas pra essa ocasião especial, eu tenho que voltar para minha página para falar com vocês.

Os jogos do Rio celebram para a ginástica brasileira um avivamento, algo nunca visto antes em precedente e importância pra toda a família da ginástica, independente de sua modalidade. Vimos como o público brasileiro lotou a Arena para assistir seus atletas competindo, mas não só isso, como queria ver a ginástica, assistir a esse show.

Não vou aqui falar da Ginástica Artística, que teve seus títulos e momentos históricos já discutidos, mas escrevo esse texto para parabenizar a família da GR que fez-se mostrar no Rio.

Alguns dizem que deveríamos ter ido melhor, que não foi uma participação boa – afinal de contas a nossa ginasta individual ficou na 23ª posição, e o nosso conjunto errou e ficou em nono. E eu vi uma chuva de comentários sobre a participação do Brasil, e como poderia ser melhor, e como não foram bem, e muitos outros comentário desnecessários daquela pessoas que só veem o esporte a cada quatro anos.

Mas calma lá, antes de falar sobre isso, tenho que dizer também que é graças a esses amantes de ginástica de quatro em quatro anos que nós ganhamos novos amigos, novos parceiros, novos atletas. E quem sabe os que comentam hoje, serão os conhecedores de amanhã. Então eu mando um agradecimento especial a eles também.

No entanto, até que eles se desenvolvam a esse ponto, a GR do Brasil continua competindo, e tentando alçar voos mais altos, vindo do fundo do poço onde habita.

Natália Gáudio foi um nome que eu nunca teria apostado para as Olimpíadas, mas ela sobreviveu ao tempo, lesões, ao título de segunda ginasta – que se converte em mito nessa Olimpíada nas mãos de Mamun – e chegou até o Rio, carregando a desconfiança de boa parte da torcida, inclusive a minha.

E então ela chegou lá e fez a competição da sua vida, e ganhou um 23º lugar, ainda distante do próxima posição no ranking, fazendo essa competição de sua vida. Alguns dizem que isso pode ser triste, alguns acham injusto. Eu acredito que isso é uma coroação para a carreira de uma ginasta, e só de ter uma mulher competindo entre tantas ginastas boas, colocando seu nome no mapa olímpico, isso é um feito por si só.

Mas sobreviver a uma competição dura, complicada e com uma torcida enorme pressionando, aí é que tudo muda. Eu tenho que mandar um grande abraço a ela, sua técnica, toda a família e todo mundo que colocou ela onde está, e especialmente a si mesma, pois pode existir um mundo de pessoas apoiando uma ginasta, mas assim que ela pisa no tablado, ela está sozinha.

A não ser que seja no conjunto.

E chegamos onde nós tínhamos ainda mais chances de avançar, e mais responsabilidades a cumprir nessas Olimpíadas. O conjunto brasileiro teve o seu melhor ciclo desde o início das competições de GR pro nosso país, e ainda que tenha o feito, sofreu uma chuva de críticas que começaram ainda em 2013 e ainda não terminaram.

Essas meninas não só conquistaram uma medalha importantíssima ao Brasil lá em 2013 ainda, um bronze em uma Copa do Mundo, como também tentaram subir o nível da ginástica brasileira a cada ano – mas foi difícil subir. Foi difícil avançar, muitas meninas ficaram pelo meio do caminho, muitas se perderam por não aguentar essa pressão.

Muito foi batalhado até se chegar no dia de hoje, a competição olímpica que o Brasil sonhou em chegar a final, apenas pra gente começar a nossa competição e perder as pernas no meio do caminho. Dois erros na primeira apresentação já colocaram as sirenes a soar, e me colocaram a fazer contas.

Acredite em mim, se a matemática necessária para se chegar a final já parecia impossível, você coloque uma rotina com erros nela. Eu estava aqui só esperando por um milagre. E no final das contas, elas não chegaram a final. Mesmo competindo como virtuosas na segunda apresentação, mesmo aguentando os berros calorosos de uma torcida que simplesmente não conseguia deixar de apoiar nosso time, elas ainda ficaram de fora.

E eu levanto minha voz pra dizer: elas iriam ficar de fora dessa final. Nas previsões para as Olimpíadas, oito times vinham com notas muito mais altas que o Brasil, e com nível que me pareciam impossível de alcançar, e isso foi confirmado. Agora, nós vínhamos de quedas em competições, cada vez deixando outros adversários passar por nós, ou tendo que suportar a falta de crédito dos juízes também, para conseguir avançar todo mundo em uma só competição.

E não só isso, conseguir mostrar tudo que foi feito nos treinos. Sinceramente, eu desejei ver falhas de outras equipes só para as meninas conseguirem chegar a final e mostrar aquela série de fitas sem falhas, mas ainda assim, eu vejo que o resultado foi justo, e nós temos que comemorar esse nono lugar.

Nós temos que comemorar essas notas, comemorar o público, mas mais do que isso, temos que comemorar as nossas ginastas, tanto do individual como do conjunto, que chegaram ao Rio e competiram sem desistir, e sem deixar nada as atrapalhar. Temos que comemorar as técnicas, que deram seu suor e suas lágrimas para essas meninas.

Desse dia de hoje, tem duas imagens que mexeram muito comigo.

A primeira foi na hora em que as meninas terminaram de competir com arco e maças e se abraçaram pra saíram juntas do tablado. Se elas não tivessem confiado em si mesmas, mesmo nas horas ruins, elas nunca teriam chegado ali. E aquilo foi por mérito próprio. Elas estava uma ao lado da outra, deixando claro que não existem melhores, porque elas estão juntas em cada degrau da subida.

E a outra imagem veio logo em seguida. A emoção da Camila com o final da apresentação traz lágrimas aos meus olhos só de lembrar. Tantas coisas se passaram na vida dela, e ela mereceu tanto ter essa seleção chegar a uma final olímpica, e eu tenho certeza que os sonhos dela eram maiores, mas ela estava ali chorando lágrimas de realização. A emoção ao ver seu trabalho dando frutos foi tão grande que ela teve que ser quase que acordada pela Bruna pra comemorar como brasileira – pulando e gritando, a mesma forma que fizeram no Pan.

Se não vimos brasileiras nas finais, vimos elas dando tudo para chegar lá, estando longe ou perto. A GR brasileira se despede do Rio com a promessa feita pelas próprias meninas, trazer uma nova geração de ginastas. O conjunto prometeu chegar mais alto ainda no próximo ciclo olímpico, e Natália disse que nas futuras gerações ela espera ver medalhistas mundiais aqui no Brasil.

E eu aplaudo elas todas, porque me fizeram chorar e sorrir, e voltar a sentir a ginástica.

=D