GINÁSTICA RÍTMICA – CAMPEONATO PAN-AMERICANO – RESULTADO E COMENTÁRIOS

Terminou hoje a maior competição da América na nossa modalidade, e a última competição importante para o calendário deste ano. Com uma seleção completa na categoria juvenil e adulto o Brasil levou os principais nomes da GR no país, e volta para casa com algumas medalhas, alguns resultados sólidos, vários resultados inconsistentes e bastante coisa a ser trabalhada.

Vamos primeiro para os resultados, e depois os comentários.

Na categoria juvenil o Brasil não conseguiu nenhuma medalha, ficando em quinto lugar na competição por equipes e também no conjunto. As meninas do individual conseguiram entrar em três finais, Eduarda no arco, maças e fita, e a Amanda na final de maças, mas sem conseguir medalhas. Assim como o conjunto, que também participou das finais.

No geral, mesmo sem medalhas, as meninas competiram de forma regular nas finais, mas não foram tão bem nas provas classificatórias. Acredito que poderiam ter tentado alguns pódios, mas com a quantia de erros cometidos não se pode ir muito longe.

Na categoria adulta as brasileiras do individual tiveram um primeiro dia bastante abaixo das expectativas, mas conseguiram se recuperar para conseguir terminar em terceiro lugar na competição por equipes. Também conseguimos mandar duas ginastas para todas as finais, e Natália Gáudio, fazendo jus às oportunidades dadas este ano, conseguiu os melhores resultados para o país, com duas medalhas de bronze nas finais de arco e bola. Nas outras finais as meninas chegaram perto do pódio, mas não conseguiram ultrapassar as adversárias, infelizmente.

Já o conjunto fez uma competição louvável, todas as notas acima de 17, sem falar nos 10 em dificuldade – e a gente pode abrir uma discussão sobre a validade dessas notas em outras competições internacionais, mas o Brasil foi muito bem mesmo. Com o ouro no AA, mais o ouro do misto e a prata do simples, somos o melhor conjunto da América, de longe. Nas finais ocorreram aí algumas maquinações na mesa de arbitragem com as nossas notas, mas nada muito grave, e acho que no fim levamos bons resultados para casa e é o que conta.

Quem quiser acompanhar os resultados completos, é só clicar neste LINK.

Ali você tem tudo.

E os vídeos da competição brasileira podem ser vistos aqui NESTE CANAL.

Agora, para comentar a nossa competição começamos com uma pincelada sobre o time juvenil. Sendo uma seleção transitória acredito que os resultados foram até regulares, mas não posso deixar de me sentir frustrado por elas não terem feito uma competição melhor. Seria interessante uma  participação maior da comissão na hora de instruir as técnicas e fazer uma avaliação sobre a potencialidade das séries, porque não podemos sair a competir com séries que não estão bem adaptadas a esse código – e não que elas não estejam em geral, mas é preciso um cuidado grande com os passos de dança, as dificuldades de aparelho e os elementos de rotação nos riscos, que é onde as meninas tem perdido pontos importantes.

No geral as notas de dificuldade saíram baixas para nossas ginastas, e é preciso um estudo para ver o motivo de isto estar acontecendo.

Já nossa seleção adulta trouxe aí seis medalhas.

Aquelas com as cores mais brilhantes vieram com o conjunto, e os bronzes com a seleção individual – e isso é uma metáfora para a atenção que se dá para as duas partes da nossa GR.

As quatro meninas que representaram o Brasil em geral fizeram uma competição bem irregular do início ao fim. Nenhuma delas fez todos os seus aparelhos sem falhas, ainda que pelo menos tenham competido em alguma série com melhor execução.

Natália, como eu disse, fez valer a predileção da comissão por ela, ganhando as únicas medalhas individuais do time. Ela tinha potencial de ter conseguido mais, mas realmente não esteve fina na fase classificatória, e por mais que houve alguns protestos sobre o resultado da final da fita, por exemplo, temos que lembrar que as mexicanas estão se preparando com consciência para os próximos anos.

Elas estão auxiliadas por Efrossina Angelova, e o nome já diz tudo. Toda a seleção individual e de conjunto, júnior e adulto, desde a metade do ano tem tido auxílio dela, e é possível ver que esse trabalho tem surtido efeito, já que elas tiveram resultados mais expressivos que os nossos, e merecidamente.

As outras meninas da nossa seleção não competiram com tanto brilhantismo. Bárbara com bastante falhas, mas mesmo assim chegando em três finais e terminando em quarto nas maças, Mariany com uma final na bola, e duas apresentações no aparelho que foram bem corretas, e Karine, com uma série de arco com falhas e a de maças mais correta, mas não o suficiente para chegar a final.

Interessante notar que a primeira ginasta escolhida na seletiva foi a que teve os resultados menos expressivos este ano, quando Bárbara e Mariany, por exemplo, foram muito melhores nas competições frente a frente com Karine, e ainda assim ficaram em casa em uma competição como o Mundial. Da mesma forma que chegaram aqui no Pan-americano sem tanta experiência em competição, ou um estágio na Bulgária.

Isso não é uma crítica direta a Karine, que faz seu trabalho dentro da quadra da melhor forma possível, mas é necessário repensar a maneira como a seletiva foi feita – dois meses antes do mundial, de forma fechada, sem ter a pressão de uma competição. Se esses foram fatores determinantes para o desempenho delas, não sei, mas não se pode ignorar eles.

O que eu também não posso deixar de dizer aqui é que, além das escolhas não tão sensatas na hora de formar uma seleção, eu ouvi histórias de horror a respeito do Campeonato Brasileiro desse ano, com ginastas tendo suas notas seguradas para não serem ultrapassadas por outras, ginastas com mesma nota em séries com execuções bem diferentes, sem falar de problemas na arbitragem dentro da competição, culminando em um incidente desconfortável, e lamentável – afastamento de um árbitro da mesa.

Acredito que, como fã do esporte, se nós queremos um time forte e coeso, é necessária a participação de todos, e mais do que nunca, saber onde erramos. Saber aceitar as críticas.

Resultados falam por si mesmo, por isso eu venho aqui dizer que a escolha da Natália foi muito sensata para representar o Brasil – muitos sabem que ela não é a minha ginasta preferida – mas ela mostrou isso em seus resultados. Ao mesmo tempo, a demora da comissão em definir uma segunda ginasta para representar o Brasil privou a Bárbara de experiência internacional nessa temporada, por exemplo. Isso sem falar da Vitória Guerra, que participou da seletiva, mas dela nunca mais se ouviu em competições fora do Brasil, mesmo com a mudança da Heloísa para a seleção de conjunto.

E o que eu disse a respeito do juvenil vale aqui para as meninas do adulto, é necessário ter cuidado na hora de montar as séries, principalmente com os elementos de rotação nos riscos, as dificuldades de aparelho e os passos de dança. Teve ginasta com passos de dança com menos de oito segundos, ou com DAs atrapalhando os passos, ou elementos de rotação no final dos riscos que não valeram, e por aí vai. É esse tipo de trabalho de correção que a Camila fez no conjunto depois do mundial, e que nos renderam notas bem melhores.

Assim como para o time júnior é necessária uma participação maior da comissão, na seleção adulta isso é óbvio. Avaliações sazonais com as atletas, técnicas e as séries que estão em competição são mais que importantes. Se não podem ser feitas ao vivo, para que serve a tecnologia de hoje? Usá-la a favor do esporte, apenas.

Além disso, rotação das atletas nas competições, quem sabe até adiantar esse campeonato nacional para que não fique tão junto de outras competições importantes. Ano que vem já temos competição de equipes no mundial, e é preciso levar as ginastas mais consistentes, e que nos trarão as melhores pontuações – bem como é preciso inscrever elas corretamente para que não ocorra o que se passou em 2014.

Sem falar no Pan-americano em 2020, que é classificatório para Tóquio. Se fosse hoje, nós não teríamos uma ginasta individual na Olimpíada, e é preciso entender que o novo modo de classificação nos permite sonhar com isso agora. Mas, claro, ainda é cedo, e tanto a comissão como as técnicas tem tempo de trabalhar conscientemente para essas competições.

Agora é hora de ir pra casa, descansar, e então começar a planejar a próxima temporada. Mais do que nunca é preciso trazer os melhores resultados possíveis, especialmente com a ameaça de mais cortes no orçamento esportivo do Brasil. Não se pode sobreviver com um nono lugar nas Olimpíadas, ou com um 23º. Bem como não se pode deixar medalhas escaparem quando elas estão a nosso alcance. A missão é fácil? Não. Mas ela está proposta para todos da mesma forma, então é bom que o trabalho seja feito em conjunto, com um interesse único de alavancar a modalidade no país, e não de cada um trilhar seu caminho em busca do sucesso.

O melhor para todos!

=D

 

 

 

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27 thoughts on “GINÁSTICA RÍTMICA – CAMPEONATO PAN-AMERICANO – RESULTADO E COMENTÁRIOS

  1. micael oliveira diz:

    Concordo com vc em tudo, Espero que ano que vem o Brasil volte com tudo na GR e que essa arbitragem seja revista .
    Alias, me tira uma curiosidade, nas classificatórias do Pan a gabi do conjunto parecia que estava machucada pois no fim das 2 séries as meninas ajudaram ela a alevantar e ela parecia mancar um pouco ao sair do tablado, n sei se é impressão minha ou não…

    • princeinred diz:

      Ela estava machucada sim. Inclusive eu fiquei em dúvida se ela poderia chegar as finais, mas acredito que ela queria representar o Brasil, por isso muita força pra ela. =D

  2. Rique diz:

    Agora é minha vez de fazer textão. Eu fiz questão de acompanhar pela live esse pan e não vou mentir em dizer que é frustrante ver nosso conjunto ser o melhor de longe tirando 17 e as do indivídual passando vergonha, elas erravam tudo , aparelho saindo de quadra , caindo nos pivôs, gente oq aconteceu??? Natália nas olimpíadas estava linda e nessa competição ficou atrás de ginastas bem menos experientes que ela. Fico sem entender como funciona isso de termos um conjunto forte e o individual fraco . Passou da hora de se repensar a funcionalidade do todo e pensar como podemos melhorar o todo. Essas meninas tem talento e força de vontade só falta um rumo certo!

    • princeinred diz:

      Eu concordo com você, especialmente na equiparação do conjunto e individual. A gente está se assemelhando a Itália de anos atrás, mas isso não é algo bom, porque não fala do nível da nossa GR como um todo. Se as duas metades da disciplina tem resultados tão diferentes é porque o treinamento está falhando em algum lugar, e é preciso entender o motivo disso.

      • Rique diz:

        Finalmente alguém entendeu meu ponto de vista! Não é possível essa disparidade, podíamos ser melhor e vejo a USA com ginastas sem graças passando a frente. Material humano tem pq a Karine parece uma russa de físico e as outras duas ( Bárbara e esqueci o nome das outras) têm e técnica pra fazer séries difíceis e cravadas. Esses treinos na Rússia tem q ser melhor aproveitado, na época de bailarino quando fazíamos cursos lembro q minha técnica melhorava muitoooo mas se eu deixava de treinar logo perdia, talvez tem q trazer uma russa pro individual já q pro conjunto deu resultados

      • princeinred diz:

        Olha, eu não creio que existe dinheiro pra trazer uma russa pra cá agora, mas a Camila tem feito um trabalho muito bom no conjunto, porque não se utiliza esse tempo agora entre um ano e outro para passar os conhecimentos entre as técnicas? A comissão tem profissionais capazes de estabelecer uma nova forma, ou pelo menos uma forma mais evoluída de trabalhar com a ginástica, então não tem porque dizer que material humano pra isso não se tem.

    • princeinred diz:

      Olha, eu ainda não achei um documento detalhado pra isso, mas te digo assim por cima. A classificação se dará por meio dos campeonatos mundiais do ano que vem e de 2019, mais o campeonato Pan-americano de 2020, que tem que ser realizado até maio do ano. Nos conjuntos são 8 classificados pelo mundial, mas uma vaga para cada continente direto do seu campeonato continental – ou seja, precisa ficar entre os 8 no mundial, ou ser o melhor do continente. No individual tem 16 vagas do mundial, mais 3 para as melhores ginastas das copas do mundo, e mais uma vaga para a melhor ginasta de cada continente, tirando aqueles países com ginastas já classificadas, e é aí que nós podemos enviar uma ginasta também, sendo a melhor do continente, por trás das americanas, caso elas se classifiquem direto no mundial. É complicado, eu sei, haha.

  3. micael oliveira diz:

    Por que só a live do 2º dia dos conjuntos com a premiação do brasil no pódio aonde as americanas ficaram com umas caras de tacho está desativado?

      • micael oliveira diz:

        Ainda quero entender… como USA conseguiu 17.800 nos 5 arcos? desculpe se eu estiver errado mas a série q elas executaram n daria uma pontuação tão alta assim

      • princeinred diz:

        Todas as notas dos conjuntos foram um pouco mais altas que o normal. E nós tivemos algumas falhas também. Se isso foi o bastante para essa diferença entre nós e elas, só os juízes da mesa sabem… Se não fosse uma das chefes chamando a atenção para a nossa nota de dificuldade, nós teríamos saído empatados com as americanas no ouro.

      • princeinred diz:

        É uma pena que o código acabe premiando essas séries – e claro que ter a Caroline Hunt com as madames da FIG não dói em nada. Por isso é preciso sempre competir da melhor forma.

    • Mateus diz:

      As séries das americanas são muito bleeeehh, igual às do Azerbaijão e Uzbequistão . Um tédio tão grande que parecem ser duas horas e não dois minutos

  4. Tiger diz:

    Ao que vc falou sobre a seletiva do individual,às vezes me faz pensar que eles evitam de colocar uma ginasta com capacidade e boa como titular com medo de superar a primeira ginasta ,parece que eles querem destacar apenas uma e que a outra é só para preencher a vaga.

  5. Abraante diz:

    Olá
    Gostei do apanhado geral que você fez.
    Quero comentar sobre a seleção individual;
    -Da seletiva nem vou comentar porque nem precisa, todos já sabem o que aconteceu.
    -Sobre o campeonato brasileiro; eu assisti e vi fortes indícios de corrupção nas notas, ginasta quase caindo de bunda ganhando medalha, banca de arbitragem soltando notas inviáveis para algumas ginastas, ginasta cometendo erro pequeno e perdendo quase dois pontos de nota final(a comparar com a série “sem erros”) e vários outros absurdos que ficaram clarissimos no decorrer do brasileiro.
    -Sobre o pan é importante citar que a seleção individual juvenil foi composta por três ginastas, onde duas delas não figuraram entre as melhores nos campeonatos realizados no Brasil em 2017, nem digito somente sobre o campeonato brasileiro, tiveram outros para provar isso, ou seja, tínhamos diferentes opções sim, e bem melhores. Aí vai meu questionamento: Porque essa escolha?
    Na seleção individual adulto eu sinto que a CBG tem suas favoritas e não está disposta a fazer um rodízio para melhorar a evolução de todas.

    • princeinred diz:

      Eu concordo com muitas coisas que você disse. Acho que, até certo ponto, podemos esperar erros com uma comissão nova, novas formas de escolher as ginastas, mas chega um certo momento em que é necessário aprender com esses erros, é necessário mudar, porque de nada adianta promover as mesmas ginastas quando os resultados que elas trazem são insatisfatórios. E se todas as meninas ficam aquém do esperado, seria preciso entender o motivo disso, e então trabalhar com as técnicas para promover a evolução do esporte.
      Eu lembro muito bem de técnicas falando sobre não existir favoritas na GR, mas as mesmas meninas continuam saindo a competir, mesmo com outras que tem possibilidades muito maiores lá fora sentadas em casa. E o porquê disso acontecer, bem, cada um pode imaginar…

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