GINÁSTICA RÍTMICA – A SELEÇÃO DE CONJUNTO DO BRASIL PARA 2018

 

Depois de um ano com uma estreia tardia, ginastas convocadas na última hora, poucas competições, mas mesmo assim resultados importantes, este ano o conjunto começou sua preparação mais cedo no ano. Com apenas três meninas remanecentes da seleção passada, já que Heloísa e Marine voltaram para o individual e a Francielly se aposentou, a seleção passou por uma renovação com a chegada de meninas bem jovens e inexperientes para formar o grupo junto com as mais veteranas.

Além de tudo isso, este ano nós tivemos mudanças interessantes no código de pontuação, que proporcionaram aos conjuntos e ginastas a chance de tirar notas bem altas na dificuldade, ao mesmo tempo em que as deduçoes na execução cresceram. Isso certamente pesou bem mais nos conjuntos porque no ano passado no Mundial nós tivemos diversos países quase empatados nas notas por causa daquela máxima de dez na dificuldade, o que não acontece mais.

Para este ano, então, Camila trouxe as mesmas séries para a competição, com algumas mudanças importantes. Em decorrência de algumas colaborações terem perdido valor, para se chegar a uma nota alta em dificuldade é preciso rechear a série com elas, por isso ao se comparar as rotinas de agora com as do ano passado podemos ver uma evolução objetiva no potencial de dificuldade.

Contudo, são séries que não estão no nível da dificuldade dos países que estão disputando para entrarem em finais em um mundial, mas acredito estamos muito perto de chegar a esse nível, sem dúvida. O importante neste começo de ano era ter séries difíceis mas que ao mesmo tempo estivessem ao alcance das meninas mais inexperientes na seleção.

Se vocês lembrarem, no ano passado nós conseguimos fazer duas rotinas sem erros graves apenas no Campeonato Pan-amricano, a última competição do ano. Os arcos até foi uma série acertada mais vezes, mas o misto só conseguiu chegar a uma execução decente neste campeonato. Ao contrário, agora nas finais de Portimão nós já fizemos as duas séries sem falhas graves, com uma execução que só perdeu para a China. E isso com pouco mais de três meses de trabalho.

Acho que foi bastante importante sair para competir e dar experiência e visibilidade para estas meninas, garantir as séries que temos e considerar isto um objetivo já alcançado, para só então voltar para o tablado de treinamento e aumentar as dificuldades – o que a própria técnica já confirmou.

Pelos resultados de Guadalajara e Portimão algumas pessoas se mostraram um pouco assustadas com as notas de outros países em relação as nossas, mas temos que admitir que ver o esporte crescendo aqui na América é muito bom. Pelo menos eu acho bom, e isso incentiva o próprio Brasil a trabalhar mais. Se há alguns anos o nosso conjunto era inalcançável, vimos nos últimos dois ciclos uma aproximação lenta dos outros países, e agora temos três conjuntos que estão bem próximos do nosso: Estados Unidos, Canadá e México.

Em Guadalajara nossa série de arcos, que teve algumas falhas na classificatória, ainda ficou na frente das americanas. Assim como nossas duas séries das finais de Portimão ficaram a frente das mexicanas e canadenses, que também competiram bem. E vale lembrar que nossas séries ainda estão em período de melhora, creio que o objetivo da Camila seja aumentar essa dificuldade aos poucos.

Eu tive oportunidade de acompanhar algumas apresentações da seleção antes de elas saírem a competir, e as meninas treinaram algumas colaborações mais difíceis, elementos que valeriam mais pontos nas duas séries, mas creio que a Camila preferiu tirar algumas dificuldades para melhorar a execução, o que funcionou muito bem para o momento.

Agora, temos que acompanhar essas séries do Brasil e sua evolução para saber como que vamos nos situar esse ano entre as potências. Abaixo você pode acompanhar a evolução na execução das séries nessas duas competições.

=D

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GINÁSTICA RÍTMICA – A SELEÇÃO INDIVIDUAL DO BRASIL PARA 2018

Eu gostaria de começar essa postagem falando que o blog ficou inativo até agora por vários motivos, mas o principal deles foi a falta de incentivo pra continuar fazendo conteúdo. Não pensem que isso é por causa de dinheiro ou falta de apoio dos leitores, pelo contrário, o que me afetou mais foram os vários acontecimentos nos bastidores da nossa modalidade que, embora não afetem ela como um todo, chegaram até aqui de forma bastante contundente, e me deixaram sem vontade de continuar postando.

Não só as histórias de terror contadas por algumas ginastas da seleção brasileira, tanto aposentadas como da atualidade, bem como o que aconteceu nos campeonatos ao redor do Brasil, mas também a forma como algumas pessoas tratam da GR e dos que comentam ela – já existem tão poucas vozes que se expõe por causa desse esporte, e parece que elas tem cada vez menos espaço para serem ouvidas. O que me anima é ver as ginastas e suas técnicas trabalhando para melhorar, porque se não fosse por elas a gente estaria vendo a GR se partindo em padaços.

Apesar disso, eu não poderia deixar de vir aqui para fazer um apanhado da nossa seleção adulta nessa primeira metade da temporada de 2018. E aqui vamos falar das ginastas individuais que despontam como favoritas para competirem pelo Brasil no resto do ano.

Começamos com NATÁLIA GAUDIO, que competiu em três campeonatos oficiais da FIG, uma Copa do Mundo e duas Copas do Mundo Challenge. Com duas séries novas e duas séries reconfiguradas, Natália teve uma curva ascendente em suas competições, até conseguir uma final na fita em Portimão e terminar na quarta colocação, o que é um resultado histórico para ela e para nossa modalidade. Contudo, todas as outras rotinas da Natália ainda estão com dificuldade em conseguir pontuações mais altas, e vê-se que ela e sua técnica ainda estão testando elementos para ver se ela consegue subir posições.

Acredito que a Natália precisa melhorar sim as outras séries além da fita, mas ela tem uma competição com ela própria aqui no Brasil. Além de ser uma ginasta com muito mais experiência que qualquer outra no país, ela também tem bastante exposição lá fora, o que ajuda a consolidar a presença da Natália no âmbito mundial.

 

A ginasta EDUARDA CARVALHO avançou apenas agora para a categoria adulta, mas já conseguiu competir de forma bastante regular nos dois campeonatos que participou, em Portugal e Luxemburgo. Mesmo que não sejam competições de alto nível como uma Copa do Mundo, em ambas houve a participação de bastante ginastas com experiência em campeonatos grandes, e a Eduarda conseguiu capturar várias medalhas em Portugal, enquanto terminou em 5º lugar no AA de Luxemburgo, ficando atrás das quatro ginastas russas que foram competir por lá – incluindo estrelas do time nacional como Ekaterina Vedeneeva e Irina Annenkova-, e ficando a frente de duas das ginastas mexicanas mais fortes – e que agora estão sendo treinadas com a ajuda de Efrosina Angelova.

Se ela continuar melhorando de competição em competição, Eduarda poderá ter grandes chances de se tornar um elemento importante da nossa seleção. Suas séries são umas das minhas favoritas das ginastas brasileiras.

 

KARINE WALTER que ano passado foi a primeira ginasta escolhida para integrar a seleção individual do Brasil, e essa decisão foi um pouco contestada, voltou a competir esse ano no Torneio de Corbeil. O torneio não é mais tão famoso como era em temporadas passadas, mas ainda assim muitas ginastas de países fortes estiveram competindo. Karine também estreou duas séries novas e reconfigurou duas antigas, e ela também conseguiu chegar em uma das finais, na bola, além de se posicionar bem na competição individual.

Mesmo que Karine ainda esteja um tanto insegura ao competir, creio que sua participação em tantos campeonatos importantes no ano passado deu uma injeção de confiança nela, e suas séries estão mais competitivas esse ano. Se vê que ela e a técnica conseguiram encontrar uma forma melhor de expressar as dificuldades corporais da Karine, escolhendo elementos que ela tem mais probabilidade de acertar – e isso é algo que eu sempre valorizo.

 

VITÓRIA GUERRA foi com seu clube para competir na Flórida este ano, uma competição pequena, mas com a presença de algumas ginastas internacionais. Ela levou medalhas em todas as provas, o que era esperado dela. Vitória foi a única ginasta que estreou quatro séries novas este ano, e elas são bem mais competitivas que as do ano anterior.

Mesmo tendo conseguido medalhas no Campeonato Brasileiro do ano passado, competindo melhor que algumas das ginastas que foram selecionadas na seletiva, Vitória não saiu a competir pelo Brasil depois do começo do ano, então espero que agora ela ganhe mais chances de representar o Brasil, pois suas séries tem bastante elementos originais e ela está bem mais forte corporalmente. Suas séries também estão entre as minhas favoritas.

 

BÁRBARA DOMINGOS foi a grande campeã no Brasileiro do ano passado, mas por causa da seletiva do começo do ano ela ficou de fora do Campeonato Mundial, e apenas apareceu para competir pelo Brasil no Campeonato Pan-americano no fim do ano. Neste ano ela voltou a treinar mais tarde, por isso chegou às competições um pouco menos preparada, mas ainda assim estreou duas séries novas.

Ela foi para Guadalajara e Portimão, e numa das competições ficou melhor situada que a Natália. Suas notas também estão competitivas com as dela, mas Bárbara ainda precisa melhorar a execução de suas séries para conseguir alcançar postos melhores nos campeonatos importantes.

 

MARIANY MIYAMOTO estava se recuperando de lesão quando saiu para competir em Baku. Ela mudou algumas de suas séries para este ano, e competiu relativamente bem em todos os aparelhos menos na bola, mas infelizmente as suas séries não estão muito à altura da competição, sem falar que em Baku os juízes foram bastante restritos no seu julgamento.

Ainda assim ela competiu suas séries sem mostrar muito nervosismo, e acredito que ela só melhore para as próximas competições, já que ela foi membro importante da nossa equipe nas duas competições que foi ano passado, já que ela competiu com regularidade.

 

HELOÍSA BORNAL saiu da seleção de conjunto para voltar a competir no individual, e ela representou o Brasil em uma competição em Portugal, mostrando séries novas em todos os aparelhos menos a bola. Sua experiência no ano passado com o conjunto, depois de não ter sido selecionada na seletiva, foi valiosa para que ela voltasse a competir com mais confiança, e suas séries são muito interessantes do ponto de vista da composição.

Contudo, ela ainda precisa melhorar na execução, o que é resultado de não ter treinado por tanto tempo como ginasta individual. Até que ela retorne a um nível mais alto ainda vai tomar tempo. Heloísa também passou por problemas durante sua preparação para competir, mas ela ainda conseguiu alcançar várias finais em Portugal e chegar perto do pódio em várias oportunidades.

 

Além dessas meninas, podemos ter outras surpresas no Campeonato Brasileiro, que vai decidir as meninas que vão representar o Brasil na segunda metade do ano. Quais delas são as suas favoritas?

=D