GINÁSTICA RÍTMICA – BRASIL E COREIA DO NORTE ESTREITANDO RELAÇÕES

Como foi publicado pela CBG essa semana, uma das melhores técnicas do país, Anita Klemann, embarcou rumo à Coreia do Norte para fazer parte de um projeto de implementação da Ginástica Rítmica em escolas públicas do país.

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De acordo com as informações divulgadas, cem crianças estão inscritas nesse projeto que fomenta o desenvolvimento do esporte por lá. De acordo com a matéria a GR ainda é desconhecida na Coreia do Norte.

O que não é exatamente verdade.

Mas vamos por partes.

Acho que é incrível que uma técnica brasileira possa ter sido escolhida para uma missão como essa, que certamente serve como apoio para o trabalho já realizado por lá. Anita tem um largo currículo com a GR aqui no Brasil, seu trabalho de maior alcance internacional sendo realizado como técnica da Angélica Kvieczynski (multimedalhista em Jogos Panamericanos, finalista de GP), junto com seu trabalho de muitos anos com a Sadia em Toledo, além da participação em projetos de desenvolvimento do esporte em países como Cuba, Argentina, Chile, Bolívia, Colômbia e Indonésia.

Um projeto como esse, ainda mais se pensarmos na situação política da Coreia do Norte e seu isolamento em relação ao mundo, é muito importante, e vem junto com os esforços da FIG para se aproximar do país. O próprio presidente da FIG, Morinari Watanabe, visitou a capital Pyongyang por esses dias em busca de estreitar as relações com o esporte de lá.

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Os representantes das várias disciplinas ginásticas se reuniram com ele para elaborar formas de avançar as modalidades no país, que já possuem representates mundiais – inclusive medalhistas olímpicos, em especial na Ginástica Artística.

Contudo, a Coreia do Norte teve representação na GR por muito tempo. Inclusive nos anos 80 e 90 o conjunto do país chegou a pódios em mundiais.

E também tem um conjunto no ciclo atual, que irá competir no mundial em Sofia.

Claro que é preciso entender que o esporte não é difundido de forma plena no país. Existe um centro de treinamento oficial onde ficam as ginastas e conjuntos do país, mas raramente eles chegam a competir no cenário mundial – a última participação delas em Campeonatos Mundiais foi em 2010, e graças a desistência do conjunto norte-coreano para o mundial de 2011 que nós conseguimos nossa vaga, mas isso já é outra história.

O Presidente da FIG esteve junto com essas meninas.

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Nessa visita ele garantiu que vai apoiar o desenvolvimento de toda a ginástica no país, e em especial a Ginástica para Todos – ele tratou disso com um dos objetivos principais dos acordos firmados em sua visita.

Pra quem não sabe, é na Coreia do Norte que acontece um dos maiores eventos ginásticos do mundo, o Festival Arirang, que reúne até mais de 30 mil membros em suas apresentações. Quem tiver vontade de acompanhar, aqui vai um link do último festival a ser realizado.

Esse encontro de culturas certamente tem muito a render. Eu torço pela volta desse país às competições importantes, pois elas foram por alguns anos ponteiras na GR mundial, e vê-las ressurgindo novamente na cena é algo incrível.

Torço também para que a Anita passe o melhor do seu conhecimento e consiga se realizar profissionalmente nessa aventura, e que seu trabalho bem feito renda frutos.

Mais informações podem ser encontradas AQUI e AQUI.

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GINÁSTICA RÍTMICA – RESULTADOS DO CAMPEONATO BRASILEIRO 2018 – ADULTO E INFANTIL

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Crédito: CBG/Ricardo Bufolin

Aqui nós temos um apanhado geral sobre os resultados da competição ocorrida no fim de semana passado, que reuniu atletas da categoria adulta e infantil. No individual geral tivemos a coroação de Natália Gáudio com seu sexto título, juntamente com a Escola de Campeãs que ganhou acompetição por equipes. Já na categoria infantil, no nível I tivemos como campeã Emanuelle Felberk, e no nível II Isabelle da Silva. Como melhor equipe foi premiado o Clube AGIR.

Os pódios ficaram assim (clique nos links para ver os resultados completos)

Individual Geral – Adulto:

1º lugar – Natália Gaudio (Escola de Campeãs – ES): 64,700 (total)

2º lugar – Barbara Domingos (Clube AGIR – PR): 63.650 (total)

3º lugar – Heloisa Bornal (ADR UNOPAR – PR): 55.350 (total)

 

Classificação Por Equipe – Adulto:

1º lugar – Escola de Campeãs (ES): 125,350 (total)

2º lugar – Clube AGIR (PR): 124,950 (total)

3º lugar – Sadia (PR): 122,700 (total)

 

RESULTADOS COMPLETOS DA CLASSIFICAÇÃO

 

Nível 1 – Infantil:

1º lugar – Emanuelle Felberk (Escola de Campeãs – ES): 44,850 (total)

2º lugar – Julia Kurunczi (ADR UNOPAR – PR): 44,300 (total)

3º lugar – Gabryela da Rocha (CLUBE AGIR – PR): 40,400 (total)

 

Nível 2 – Infantil:

1º lugar – Isabelle da Silva (Sadia – PR): 37,150 (total)

2º lugar – Júlia Ferreira (GNU – RS): 36,150 (total)

3º lugar – Kassandra Nascimento (Colégio Jardins – SE): 35,100 (total)

 

Classificação Por Equipe – Infantil:

1º lugar –  Clube AGIR (PR) : 111,850 (total)

2º lugar –  GNU (RS) : 105,700 (total)

3º lugar –  Sadia (PR): 105,600 (total)

 

RESULTADOS COMPLETOS DA CLASSIFICAÇÃO

 

No último dia foram realizadas as finais. Os resultados estão a seguir (clique nos links para ver as planilhas completas)

ARCO – ADULTO

1º lugar – Barbara Domingos (Clube AGIR – PR): 16,950 (total)

2º lugar – Natália Gaudio (Escola de Campeãs – ES): 16,450 (total)

3º lugar – Mariane Miyamoto (Joinville – SC): 14,100 (total)

BOLA – ADULTO

1º lugar – Natália Gaudio (Escola de Campeãs – ES): 17,400 (total)

2º lugar – Barbara Domingos (Clube AGIR – PR): 16,100 (total)

3º lugar – Heloisa Bornal (ADR UNOPAR – PR): 14,250 (total)

MAÇAS – ADULTO

1º lugar – Natália Gaudio (Escola de Campeãs – ES): 16,750 (total)

2º lugar – Barbara Domingos (Clube AGIR – PR): 16,450 (total)

3º lugar – Heloisa Bornal (ADR UNOPAR – PR): 14,550 (total)

FITA – ADULTO

1º lugar – Natália Gaudio (Escola de Campeãs – ES): 14,400 (total)

2º lugar – Barbara Domingos (Clube AGIR – PR): 13,900 (total)

3º lugar – Heloisa Bornal (ADR UNOPAR – PR): 13,100 (total)

 

MÃOS LIVRES

Nível 1 

1º lugar – Isadora de Oliveira (Clube AGIR – PR): 12,050 (total)

2º lugar – Emanuelle Felberk (Escola de Campeãs – ES): 11,650 (total)

3º lugar – Julia Kurunczi (ADR UNOPAR – PR): 11,000 (total)

Nível 2

1º lugar – Isabelle da Silva (Sadia – PR): 10,700 (total)

2º lugar – Júlia Ferreira (GNU – RS): 9,600 (total)

3º lugar – Ana Carolina Mendonça (IDFG – SE): 9,450 (total)

CORDA

Nível 1

1º lugar – Isadora de Oliveira (Clube AGIR – PR): 11,500 (total)

2º lugar – Julia Kurunczi (ADR UNOPAR – PR): 10,950 (total)

3º lugar – Emanuelle Felberk (Escola de Campeãs – ES): 10,550 (total)

Nível 2 

1º lugar – Júlia Ferreira (GNU – RS): 8,600 (total)

2º lugar – Kassandra Nascimento (Colégio Jardins – SE): 8,250 (total)

3º lugar – Ana Carolina Mendonça (IDFG – SE): 7,350 (total)

BOLA

Nível 1 

1º lugar – Julia Kurunczi (ADR UNOPAR – PR): 12,700 (total)

2º lugar – Emanuelle Felberk (Escola de Campeãs – ES): 12,250 (total)

3º lugar – Isabela Stelzer (Lorena S. E. – ES): 10,100 (total)

Nível 2 

1º lugar – Isabelle da Silva (Sadia – PR): 10,050 (total)

2º lugar – Kassandra Nascimento (Colégio Jardins – SE): 9,700 (total)

3º lugar – Júlia Ferreira (GNU – RS): 9,100 (total)

MAÇAS

Nível 1

1º lugar – Emanuelle Felberk (Escola de Campeãs – ES): 12,700 (total)

2º lugar – Julia Kurunczi (ADR UNOPAR – PR): 12,050 (total)

3º lugar – Isadora de Oliveira (Clube AGIR – PR): 11,600 (total)

Nível 2 

1º lugar – Isabelle da Silva (Sadia – PR): 11,800 (total)

2º lugar – Kassandra Nascimento (Colégio Jardins – SE): 9,550 (total)

3º lugar – Kauane de Souza (AGIR – PR): 8,650 (total)

 

Como eu não pude acompanhar muito do infantil, minhas impessões gerais ficam apenas pelo adulto. A gente pode ver uma clara divisão das ginastas em uns três grupos: o primeiro com as duas melhores do país, claramente Natália e Bárbara, então um grupo que está bem próximo a elas, com as ginastas que representaram o país internacionalmente esse ano, e então o terceiro grupo com as ginastas emergentes.

No geral, Natália foi a que mais corretamente competiu, especialmente no Individual Geral. Bárbara teve muita garra em todas as apresentações, mas algumas falhas aqui e ali, incluindo algumas graves. Heloísa, que fez uma participação louvável, teve algumas falhas, mas sem dúvida foi a melhor ginasta desse segundo grupo, conquistando quatro medalhas na competição.

Menção especial para Mariany, que conseguiu entrar nesse pódio seleto, e a todas as outras meninas que competiram no campeonato.

Do que eu consegui ver, gostaria de dar um destaque especial a Samara Sibin e Maria Clara de Souza, que são ginastas bem novas mas que competiram com certa regularida, e que me surpreenderam positivamente com seu nível, já que eu não tive a oportunidade de vê-las competindo neste ano.

Fiquei um pouco triste com a participação de várias outras meninas que infelizmente não conseguiram os melhores resultados, e o mais principal, não conseguiram mostrar o trabalho que realizam. Entre elas destacar Vitória Guerra e Eduarda de Carvalho, que tem séries bem chamativas, mas que acabaram sofrendo com falhas em vários aparelhos.

Esperamos agora o resultado da seletiva para saber quem representa o Brasil nessa segunda parte do ano, e então vamos comentar mais sobre a seleção brasileira.

 

GINÁSTICA RÍTMICA – O QUE SERIA A PARTE ARTÍSTICA DA MODALIDADE? E COMO AVALIAR ELA EM UMA SÉRIE?

Essa é uma questão que sempre é bastante comentada principalmente nas transmissões de TV onde se tenta tenta explicar um pouco desse lado – tanto nos canais brasileiros como ao redor do mundo. Mas parece uma coisa complexa você definir e pontuar algo que é subjetivo, não?

Eu sei que muitas pessoas ficam coçando a cabeça pra entender como uma série que às vezes não agrada tanto o gosto acaba por tirar uma nota alta, e outra série que agrada acaba por ficar longe da nota que o público gostaria.

Existem muitos fatores que contribuem para isso. Um dos principais definidores da nota de dificuldade é a habilidade corporal de uma ginasta, quanto mais alto o valor das suas dificuldades de corpo, e melhor sua habilidade com o aparelho, maior poderá ser sua nota de dificuldade. O próprio código valoriza as ginastas que trabalham de uma forma atlética, dando ênfase aos valores exatos nas planilhas do código.

Mas e as ginastas que usam de seu charme pessoal e sua habilidade de criar empatia, elas também tem lugar? Pois claro que tem. Só que não só disso se vale a parte artística da GR, é muito mais do que apenas caras e bocas ou uma mão estendida languidamente durante a série.

Contudo, esses dois lados precisam se encontrar no meio, pois o próprio código diz que uma rotina não pode ser apenas uma série de elementos, um atrás do outro, sem conexão qualquer com o caráter da música – e isso coloca ênfase na música escolhida pelas técnicas e ginastas. Muito mais do que impôr alguma coisa que pode ser de maior aceitação, é necessário pensar em algo que possa se relacionar com a ginasta, que possa fazer o seu lado interpretativo aflorar quando em quadra.

E claro, é complicado você reproduzir as mesmas emoções treinando uma série todos os dias, mas é preciso que a ginasta esteja conectada a sua série a nível molecular.

Quando a música ressoa com a ginasta, e com uma ideia que será representada na série, a rotina precisa mostrar essa ideia durante toda sua duração, bem como não perder a conexão que é estabelecida entre música e movimento. Num mundo ideal, quando a música começa e a ginasta executa sua série, ela deveria ser capaz de prender a atenção do espectador, e fazer ele sentir alguma coisa, mesmo que seja algo difícil de nomear.

Mas além dessa conexão entre ginasta e música, é necessário que exista coesão entre todos os elementos de uma série, especialmente aqueles que valem nota na banca de dificuldade.

Eu vou mostrar aqui pra vocês um exemplo que a própria FIG usa para demonstrar uma série que, mesmo com o bom nível de correção na parte técnica, deixa um pouco a desejar na parte artística. Acompanhem aí.

O que nós podemos ver nessa série? São coisas que para um leigo talvez nem se perceba num primeiro momento, mas durante a maior parte da série é difícil de encontrar uma ligação maior entre um elemento de dificuldade, corporal ou de aparelho, e o que o segue. Por mais que haja uma transição de certa forma suave, não existem muitos passos ou elementos que conectem um ao próximo.

Durante a execução desses elementos, é difícil até imaginar qual a ideia por trás dessa série, ou sentir uma conexão da ginasta com a música, por mais que ela carregue um sorriso durante a série inteira. Contudo, no momento em que ela executa seus passos de dança, é possível perceber um engajamento maior da ginasta, e a ideia da série aparece ali naquele momento, apenas para ficar atenuada assim que a ginasta retorna a executar seus outros elementos corporais.

Isso não quer dizer que a série é ruim, e que será mal pontuada. O código é construído de forma a proporcionar uma avaliação justa para as ginastas que tem alto nível técnico, em detrimento do nível artístico. E isso não quer dizer que a ginasta não pode evoluir, e sua série venha a ser equilibrada.

Vamos comparar agora com outra rotina, que foi usada como um exemplo de uma série que cuida de vários aspectos da parte artística de uma forma mais fina.

Logo no começo é fácil notar um tema nessa série. A música tem uma pegada tribal, selvagem, e desde o primeiro movimento a ginasta está conectada fielmente a ela. Os passos de dança foram elaborados de uma forma que enaltece o ritmo da música e as nuances dela também, assim como o resto da construção da rotina.

Não só uma vez durante o restante da série é possível perceber pequenos momentos coreográficos conectando uma dificuldade a seguinte, quase como um respiro para a parte corporal, mas que carrega a ideia da rotina, apresentada logo no início.

Acho interessante como essa rotina é construída porque enfatiza essa relação da ginasta com a música logo no primeiro momento, e esse motivo sempre retorna. E não somente entre uma dificuldade e outra, mas até na preparação dos elementos ou durante as recuperções do aparelho, ou nos riscos, é possível ver um gesto de mão ou de outra parte do corpo que continua apresentando essa ideia, e isso vai até o final da série.

Se é uma rotina que agrada ou não, pois cada um tem suas opiniões, mas é inegável admitir que existe sim um trabalho artístico de valor por trás dela, afinal de contas a rotina apresenta um componente artístico durante a maior parte de sua duração, e é uma ideia explorada de várias maneiras, não sempre se repetindo, mas evoluindo. Existe uma conexão entre os passos de dança e o ritmo da música, e a ginasta sempre executa os elementos com propósito.

A gente vê bastante desse tipo de trabalho em várias das séries das meninas da Geórgia, em especial na Natela e na Salome.

Mas vou dar mais um exemplo de uma rotina que eu acho interessante para ser avaliada e discutida.

É uma série bem executada a nível técnico, sem sombra de dúvida. Mas como fica a parte artística por aqui? É possível se ver uma ideia concisa do início ao fim? É possível se notar passos ou movimentos que conectem os elementos da dificuldade da série? Existe um engajamento da ginasta com a música, produzindo uma relação que transmite algo ao espectador? Existem momentos em que é possível perceber que falta alguma conexão entre um elemento e outro, e que fica mais visível quando se compara com algum momento da série em que eles estão em evidência?

Nenhuma série é 100% perfeita em sua concepção, acredito que sempre existe margem de melhora. Mas quando a gente se atenta para esses detalhes, quando percebe esse envolvimento de ginasta e aparelho, junto com dificuldade e um sentido interpretativo na série, ficar quatro ou cinco horas vendo uma competição se torna uma experiência diferente – especialmente se todas as ginastas conseguissem produzir rotinas que tentem alcançar o máximo nível de suas capacidades interpretativas.

GINÁSTICA RÍTMICA – BRASIL NOS JOGOS SUL-AMERICANO

Nesses dias está ocorrendo em Cochabamba a competição mais importante da América do Sul. Na nossa modalidade o Brasil enviou suas melhores ginastas e a seleção de conjunto para brigar pelas medalhas – e não como surpresa, ganhamos todos os ouros. Contudo, é necessário parabenizar sim a nossas ginastas e técnicas, bem como celebrar mais uma boa competição para o nosso país.

Na categoria individual Natália Gaudio e Bárbara Domingos foram as representantes. Natália conseguiu quatro ouros – no arco, maças e fita além do Individual Geral. Bárbara por sua vez conseguiu um ouro na bola e mais três pratas – arco, fita e Individual Geral. As duas ginastas fizeram uma competição muito boa, com Natália fazendo sua melhor competição geral desde o Rio 2016, e Bárbara melhorando bastante em relação as duas competições que ela fez esse ano.

Os resultados seguem abaixo.

Individual Geral 

# Nome País Total Arco Bola Fita Maças Posição
4  Natália Azevedo Gaudio BRA 63.25 16 16.8 14.5 15.95 1
3  Barbara De Kassia Godoy Domingos BRA 57.8 15.2 14.95 13.55 14.1 2
8  Lina Marcela Dussan Orozco COL 50.1 12.25 12.2 12.45 13.2 3
12  Grisbel Andreina Lopez Ortega VEN 48.7 10.45 14.5 10.8 12.95 4
5  Sol Andrea Martinez Fainberg ARG 45 12.95 11.7 8.55 11.8 5
9  Vanessa Galindo Saavedra COL 44.8 12.9 8.95 10.55 12.4 6
1  Javiera Rubilar Sanhueza CHI 42.2 10.35 10.45 9.65 11.75 7
16  Fabiana Abastoflor Nurnberg BOL 40.75 11.2 11.7 8 9.85 8
6  Sofia Bergliaffa ARG 37.75 8.7 11.55 9.1 8.4 9
13  Maria Waleska Ojeda Pacheco VEN 28.9 10.2 10.05 0 8.65 10

Para mais resultados detalhados, aqui vai o LINK.

Já o nosso conjunto, depois de Portimão, fez mudanças nas séries para aumentar as dificuldades, e já estrearam essas mudanças ali. Contudo, pelo pouco tempo de treino e por causa da uma lesão que tirou Alanis da competição, as meninas não conseguiram executar as séries da melhor forma, e mesmo que fazendo o bastante para conseguir os ouros, acredito que pretendem melhorar bastante para as próximas competições.

No Conjunto Geral o resultado ficou assim.

# País
1 Brasil BRA 29
2 Venezuela VEN 22.3
3 Argentina ARG 20.65
4 Chile CHI 20.25
5 Perú PER 13.9

Final de 5 arcos

 

# País
1 Brasil BRA 15.15
2 Venezuela VEN 10.8
3 Chile CHI 9.5
4 Argentina ARG 8.95
5 Perú PER 6.95
Final de 3 bolas e 2 cordas
# País
1 Brasil BRA 13.65
2 Venezuela VEN 11.85
3 Argentina ARG 10.35
4 Chile CHI 9
5 Perú PER 6.15
Nas classificatórias fomos melhor no misto e tivemos mais erros no conjunto simples, enquanto isso se inverteu nas finais. Infelizmente não houve uma transmissão de qualidade, por isso os vídeos são escassos. Quem quiser tirar o tempo para assistir a transmissão dos canais que passaram, aqui vão os links.
Talvez dentro de alguns dias mais vídeos apareçam pelo Youtube, e eu vou ver se consigo gravar alguma coisa que estiver em qualidade boa nas transmissões.
=D

GINÁSTICA RÍTMICA – A SELEÇÃO DE CONJUNTO DO BRASIL PARA 2018

 

Depois de um ano com uma estreia tardia, ginastas convocadas na última hora, poucas competições, mas mesmo assim resultados importantes, este ano o conjunto começou sua preparação mais cedo no ano. Com apenas três meninas remanecentes da seleção passada, já que Heloísa e Marine voltaram para o individual e a Francielly se aposentou, a seleção passou por uma renovação com a chegada de meninas bem jovens e inexperientes para formar o grupo junto com as mais veteranas.

Além de tudo isso, este ano nós tivemos mudanças interessantes no código de pontuação, que proporcionaram aos conjuntos e ginastas a chance de tirar notas bem altas na dificuldade, ao mesmo tempo em que as deduçoes na execução cresceram. Isso certamente pesou bem mais nos conjuntos porque no ano passado no Mundial nós tivemos diversos países quase empatados nas notas por causa daquela máxima de dez na dificuldade, o que não acontece mais.

Para este ano, então, Camila trouxe as mesmas séries para a competição, com algumas mudanças importantes. Em decorrência de algumas colaborações terem perdido valor, para se chegar a uma nota alta em dificuldade é preciso rechear a série com elas, por isso ao se comparar as rotinas de agora com as do ano passado podemos ver uma evolução objetiva no potencial de dificuldade.

Contudo, são séries que não estão no nível da dificuldade dos países que estão disputando para entrarem em finais em um mundial, mas acredito estamos muito perto de chegar a esse nível, sem dúvida. O importante neste começo de ano era ter séries difíceis mas que ao mesmo tempo estivessem ao alcance das meninas mais inexperientes na seleção.

Se vocês lembrarem, no ano passado nós conseguimos fazer duas rotinas sem erros graves apenas no Campeonato Pan-amricano, a última competição do ano. Os arcos até foi uma série acertada mais vezes, mas o misto só conseguiu chegar a uma execução decente neste campeonato. Ao contrário, agora nas finais de Portimão nós já fizemos as duas séries sem falhas graves, com uma execução que só perdeu para a China. E isso com pouco mais de três meses de trabalho.

Acho que foi bastante importante sair para competir e dar experiência e visibilidade para estas meninas, garantir as séries que temos e considerar isto um objetivo já alcançado, para só então voltar para o tablado de treinamento e aumentar as dificuldades – o que a própria técnica já confirmou.

Pelos resultados de Guadalajara e Portimão algumas pessoas se mostraram um pouco assustadas com as notas de outros países em relação as nossas, mas temos que admitir que ver o esporte crescendo aqui na América é muito bom. Pelo menos eu acho bom, e isso incentiva o próprio Brasil a trabalhar mais. Se há alguns anos o nosso conjunto era inalcançável, vimos nos últimos dois ciclos uma aproximação lenta dos outros países, e agora temos três conjuntos que estão bem próximos do nosso: Estados Unidos, Canadá e México.

Em Guadalajara nossa série de arcos, que teve algumas falhas na classificatória, ainda ficou na frente das americanas. Assim como nossas duas séries das finais de Portimão ficaram a frente das mexicanas e canadenses, que também competiram bem. E vale lembrar que nossas séries ainda estão em período de melhora, creio que o objetivo da Camila seja aumentar essa dificuldade aos poucos.

Eu tive oportunidade de acompanhar algumas apresentações da seleção antes de elas saírem a competir, e as meninas treinaram algumas colaborações mais difíceis, elementos que valeriam mais pontos nas duas séries, mas creio que a Camila preferiu tirar algumas dificuldades para melhorar a execução, o que funcionou muito bem para o momento.

Agora, temos que acompanhar essas séries do Brasil e sua evolução para saber como que vamos nos situar esse ano entre as potências. Abaixo você pode acompanhar a evolução na execução das séries nessas duas competições.

=D

GINÁSTICA RÍTMICA – A SELEÇÃO INDIVIDUAL DO BRASIL PARA 2018

Eu gostaria de começar essa postagem falando que o blog ficou inativo até agora por vários motivos, mas o principal deles foi a falta de incentivo pra continuar fazendo conteúdo. Não pensem que isso é por causa de dinheiro ou falta de apoio dos leitores, pelo contrário, o que me afetou mais foram os vários acontecimentos nos bastidores da nossa modalidade que, embora não afetem ela como um todo, chegaram até aqui de forma bastante contundente, e me deixaram sem vontade de continuar postando.

Não só as histórias de terror contadas por algumas ginastas da seleção brasileira, tanto aposentadas como da atualidade, bem como o que aconteceu nos campeonatos ao redor do Brasil, mas também a forma como algumas pessoas tratam da GR e dos que comentam ela – já existem tão poucas vozes que se expõe por causa desse esporte, e parece que elas tem cada vez menos espaço para serem ouvidas. O que me anima é ver as ginastas e suas técnicas trabalhando para melhorar, porque se não fosse por elas a gente estaria vendo a GR se partindo em padaços.

Apesar disso, eu não poderia deixar de vir aqui para fazer um apanhado da nossa seleção adulta nessa primeira metade da temporada de 2018. E aqui vamos falar das ginastas individuais que despontam como favoritas para competirem pelo Brasil no resto do ano.

Começamos com NATÁLIA GAUDIO, que competiu em três campeonatos oficiais da FIG, uma Copa do Mundo e duas Copas do Mundo Challenge. Com duas séries novas e duas séries reconfiguradas, Natália teve uma curva ascendente em suas competições, até conseguir uma final na fita em Portimão e terminar na quarta colocação, o que é um resultado histórico para ela e para nossa modalidade. Contudo, todas as outras rotinas da Natália ainda estão com dificuldade em conseguir pontuações mais altas, e vê-se que ela e sua técnica ainda estão testando elementos para ver se ela consegue subir posições.

Acredito que a Natália precisa melhorar sim as outras séries além da fita, mas ela tem uma competição com ela própria aqui no Brasil. Além de ser uma ginasta com muito mais experiência que qualquer outra no país, ela também tem bastante exposição lá fora, o que ajuda a consolidar a presença da Natália no âmbito mundial.

 

A ginasta EDUARDA CARVALHO avançou apenas agora para a categoria adulta, mas já conseguiu competir de forma bastante regular nos dois campeonatos que participou, em Portugal e Luxemburgo. Mesmo que não sejam competições de alto nível como uma Copa do Mundo, em ambas houve a participação de bastante ginastas com experiência em campeonatos grandes, e a Eduarda conseguiu capturar várias medalhas em Portugal, enquanto terminou em 5º lugar no AA de Luxemburgo, ficando atrás das quatro ginastas russas que foram competir por lá – incluindo estrelas do time nacional como Ekaterina Vedeneeva e Irina Annenkova-, e ficando a frente de duas das ginastas mexicanas mais fortes – e que agora estão sendo treinadas com a ajuda de Efrosina Angelova.

Se ela continuar melhorando de competição em competição, Eduarda poderá ter grandes chances de se tornar um elemento importante da nossa seleção. Suas séries são umas das minhas favoritas das ginastas brasileiras.

 

KARINE WALTER que ano passado foi a primeira ginasta escolhida para integrar a seleção individual do Brasil, e essa decisão foi um pouco contestada, voltou a competir esse ano no Torneio de Corbeil. O torneio não é mais tão famoso como era em temporadas passadas, mas ainda assim muitas ginastas de países fortes estiveram competindo. Karine também estreou duas séries novas e reconfigurou duas antigas, e ela também conseguiu chegar em uma das finais, na bola, além de se posicionar bem na competição individual.

Mesmo que Karine ainda esteja um tanto insegura ao competir, creio que sua participação em tantos campeonatos importantes no ano passado deu uma injeção de confiança nela, e suas séries estão mais competitivas esse ano. Se vê que ela e a técnica conseguiram encontrar uma forma melhor de expressar as dificuldades corporais da Karine, escolhendo elementos que ela tem mais probabilidade de acertar – e isso é algo que eu sempre valorizo.

 

VITÓRIA GUERRA foi com seu clube para competir na Flórida este ano, uma competição pequena, mas com a presença de algumas ginastas internacionais. Ela levou medalhas em todas as provas, o que era esperado dela. Vitória foi a única ginasta que estreou quatro séries novas este ano, e elas são bem mais competitivas que as do ano anterior.

Mesmo tendo conseguido medalhas no Campeonato Brasileiro do ano passado, competindo melhor que algumas das ginastas que foram selecionadas na seletiva, Vitória não saiu a competir pelo Brasil depois do começo do ano, então espero que agora ela ganhe mais chances de representar o Brasil, pois suas séries tem bastante elementos originais e ela está bem mais forte corporalmente. Suas séries também estão entre as minhas favoritas.

 

BÁRBARA DOMINGOS foi a grande campeã no Brasileiro do ano passado, mas por causa da seletiva do começo do ano ela ficou de fora do Campeonato Mundial, e apenas apareceu para competir pelo Brasil no Campeonato Pan-americano no fim do ano. Neste ano ela voltou a treinar mais tarde, por isso chegou às competições um pouco menos preparada, mas ainda assim estreou duas séries novas.

Ela foi para Guadalajara e Portimão, e numa das competições ficou melhor situada que a Natália. Suas notas também estão competitivas com as dela, mas Bárbara ainda precisa melhorar a execução de suas séries para conseguir alcançar postos melhores nos campeonatos importantes.

 

MARIANY MIYAMOTO estava se recuperando de lesão quando saiu para competir em Baku. Ela mudou algumas de suas séries para este ano, e competiu relativamente bem em todos os aparelhos menos na bola, mas infelizmente as suas séries não estão muito à altura da competição, sem falar que em Baku os juízes foram bastante restritos no seu julgamento.

Ainda assim ela competiu suas séries sem mostrar muito nervosismo, e acredito que ela só melhore para as próximas competições, já que ela foi membro importante da nossa equipe nas duas competições que foi ano passado, já que ela competiu com regularidade.

 

HELOÍSA BORNAL saiu da seleção de conjunto para voltar a competir no individual, e ela representou o Brasil em uma competição em Portugal, mostrando séries novas em todos os aparelhos menos a bola. Sua experiência no ano passado com o conjunto, depois de não ter sido selecionada na seletiva, foi valiosa para que ela voltasse a competir com mais confiança, e suas séries são muito interessantes do ponto de vista da composição.

Contudo, ela ainda precisa melhorar na execução, o que é resultado de não ter treinado por tanto tempo como ginasta individual. Até que ela retorne a um nível mais alto ainda vai tomar tempo. Heloísa também passou por problemas durante sua preparação para competir, mas ela ainda conseguiu alcançar várias finais em Portugal e chegar perto do pódio em várias oportunidades.

 

Além dessas meninas, podemos ter outras surpresas no Campeonato Brasileiro, que vai decidir as meninas que vão representar o Brasil na segunda metade do ano. Quais delas são as suas favoritas?

=D

GINÁSTICA RÍTMICA – CAMPEONATO PAN-AMERICANO – RESULTADO E COMENTÁRIOS

Terminou hoje a maior competição da América na nossa modalidade, e a última competição importante para o calendário deste ano. Com uma seleção completa na categoria juvenil e adulto o Brasil levou os principais nomes da GR no país, e volta para casa com algumas medalhas, alguns resultados sólidos, vários resultados inconsistentes e bastante coisa a ser trabalhada.

Vamos primeiro para os resultados, e depois os comentários.

Na categoria juvenil o Brasil não conseguiu nenhuma medalha, ficando em quinto lugar na competição por equipes e também no conjunto. As meninas do individual conseguiram entrar em três finais, Eduarda no arco, maças e fita, e a Amanda na final de maças, mas sem conseguir medalhas. Assim como o conjunto, que também participou das finais.

No geral, mesmo sem medalhas, as meninas competiram de forma regular nas finais, mas não foram tão bem nas provas classificatórias. Acredito que poderiam ter tentado alguns pódios, mas com a quantia de erros cometidos não se pode ir muito longe.

Na categoria adulta as brasileiras do individual tiveram um primeiro dia bastante abaixo das expectativas, mas conseguiram se recuperar para conseguir terminar em terceiro lugar na competição por equipes. Também conseguimos mandar duas ginastas para todas as finais, e Natália Gáudio, fazendo jus às oportunidades dadas este ano, conseguiu os melhores resultados para o país, com duas medalhas de bronze nas finais de arco e bola. Nas outras finais as meninas chegaram perto do pódio, mas não conseguiram ultrapassar as adversárias, infelizmente.

Já o conjunto fez uma competição louvável, todas as notas acima de 17, sem falar nos 10 em dificuldade – e a gente pode abrir uma discussão sobre a validade dessas notas em outras competições internacionais, mas o Brasil foi muito bem mesmo. Com o ouro no AA, mais o ouro do misto e a prata do simples, somos o melhor conjunto da América, de longe. Nas finais ocorreram aí algumas maquinações na mesa de arbitragem com as nossas notas, mas nada muito grave, e acho que no fim levamos bons resultados para casa e é o que conta.

Quem quiser acompanhar os resultados completos, é só clicar neste LINK.

Ali você tem tudo.

E os vídeos da competição brasileira podem ser vistos aqui NESTE CANAL.

Agora, para comentar a nossa competição começamos com uma pincelada sobre o time juvenil. Sendo uma seleção transitória acredito que os resultados foram até regulares, mas não posso deixar de me sentir frustrado por elas não terem feito uma competição melhor. Seria interessante uma  participação maior da comissão na hora de instruir as técnicas e fazer uma avaliação sobre a potencialidade das séries, porque não podemos sair a competir com séries que não estão bem adaptadas a esse código – e não que elas não estejam em geral, mas é preciso um cuidado grande com os passos de dança, as dificuldades de aparelho e os elementos de rotação nos riscos, que é onde as meninas tem perdido pontos importantes.

No geral as notas de dificuldade saíram baixas para nossas ginastas, e é preciso um estudo para ver o motivo de isto estar acontecendo.

Já nossa seleção adulta trouxe aí seis medalhas.

Aquelas com as cores mais brilhantes vieram com o conjunto, e os bronzes com a seleção individual – e isso é uma metáfora para a atenção que se dá para as duas partes da nossa GR.

As quatro meninas que representaram o Brasil em geral fizeram uma competição bem irregular do início ao fim. Nenhuma delas fez todos os seus aparelhos sem falhas, ainda que pelo menos tenham competido em alguma série com melhor execução.

Natália, como eu disse, fez valer a predileção da comissão por ela, ganhando as únicas medalhas individuais do time. Ela tinha potencial de ter conseguido mais, mas realmente não esteve fina na fase classificatória, e por mais que houve alguns protestos sobre o resultado da final da fita, por exemplo, temos que lembrar que as mexicanas estão se preparando com consciência para os próximos anos.

Elas estão auxiliadas por Efrossina Angelova, e o nome já diz tudo. Toda a seleção individual e de conjunto, júnior e adulto, desde a metade do ano tem tido auxílio dela, e é possível ver que esse trabalho tem surtido efeito, já que elas tiveram resultados mais expressivos que os nossos, e merecidamente.

As outras meninas da nossa seleção não competiram com tanto brilhantismo. Bárbara com bastante falhas, mas mesmo assim chegando em três finais e terminando em quarto nas maças, Mariany com uma final na bola, e duas apresentações no aparelho que foram bem corretas, e Karine, com uma série de arco com falhas e a de maças mais correta, mas não o suficiente para chegar a final.

Interessante notar que a primeira ginasta escolhida na seletiva foi a que teve os resultados menos expressivos este ano, quando Bárbara e Mariany, por exemplo, foram muito melhores nas competições frente a frente com Karine, e ainda assim ficaram em casa em uma competição como o Mundial. Da mesma forma que chegaram aqui no Pan-americano sem tanta experiência em competição, ou um estágio na Bulgária.

Isso não é uma crítica direta a Karine, que faz seu trabalho dentro da quadra da melhor forma possível, mas é necessário repensar a maneira como a seletiva foi feita – dois meses antes do mundial, de forma fechada, sem ter a pressão de uma competição. Se esses foram fatores determinantes para o desempenho delas, não sei, mas não se pode ignorar eles.

O que eu também não posso deixar de dizer aqui é que, além das escolhas não tão sensatas na hora de formar uma seleção, eu ouvi histórias de horror a respeito do Campeonato Brasileiro desse ano, com ginastas tendo suas notas seguradas para não serem ultrapassadas por outras, ginastas com mesma nota em séries com execuções bem diferentes, sem falar de problemas na arbitragem dentro da competição, culminando em um incidente desconfortável, e lamentável – afastamento de um árbitro da mesa.

Acredito que, como fã do esporte, se nós queremos um time forte e coeso, é necessária a participação de todos, e mais do que nunca, saber onde erramos. Saber aceitar as críticas.

Resultados falam por si mesmo, por isso eu venho aqui dizer que a escolha da Natália foi muito sensata para representar o Brasil – muitos sabem que ela não é a minha ginasta preferida – mas ela mostrou isso em seus resultados. Ao mesmo tempo, a demora da comissão em definir uma segunda ginasta para representar o Brasil privou a Bárbara de experiência internacional nessa temporada, por exemplo. Isso sem falar da Vitória Guerra, que participou da seletiva, mas dela nunca mais se ouviu em competições fora do Brasil, mesmo com a mudança da Heloísa para a seleção de conjunto.

E o que eu disse a respeito do juvenil vale aqui para as meninas do adulto, é necessário ter cuidado na hora de montar as séries, principalmente com os elementos de rotação nos riscos, as dificuldades de aparelho e os passos de dança. Teve ginasta com passos de dança com menos de oito segundos, ou com DAs atrapalhando os passos, ou elementos de rotação no final dos riscos que não valeram, e por aí vai. É esse tipo de trabalho de correção que a Camila fez no conjunto depois do mundial, e que nos renderam notas bem melhores.

Assim como para o time júnior é necessária uma participação maior da comissão, na seleção adulta isso é óbvio. Avaliações sazonais com as atletas, técnicas e as séries que estão em competição são mais que importantes. Se não podem ser feitas ao vivo, para que serve a tecnologia de hoje? Usá-la a favor do esporte, apenas.

Além disso, rotação das atletas nas competições, quem sabe até adiantar esse campeonato nacional para que não fique tão junto de outras competições importantes. Ano que vem já temos competição de equipes no mundial, e é preciso levar as ginastas mais consistentes, e que nos trarão as melhores pontuações – bem como é preciso inscrever elas corretamente para que não ocorra o que se passou em 2014.

Sem falar no Pan-americano em 2020, que é classificatório para Tóquio. Se fosse hoje, nós não teríamos uma ginasta individual na Olimpíada, e é preciso entender que o novo modo de classificação nos permite sonhar com isso agora. Mas, claro, ainda é cedo, e tanto a comissão como as técnicas tem tempo de trabalhar conscientemente para essas competições.

Agora é hora de ir pra casa, descansar, e então começar a planejar a próxima temporada. Mais do que nunca é preciso trazer os melhores resultados possíveis, especialmente com a ameaça de mais cortes no orçamento esportivo do Brasil. Não se pode sobreviver com um nono lugar nas Olimpíadas, ou com um 23º. Bem como não se pode deixar medalhas escaparem quando elas estão a nosso alcance. A missão é fácil? Não. Mas ela está proposta para todos da mesma forma, então é bom que o trabalho seja feito em conjunto, com um interesse único de alavancar a modalidade no país, e não de cada um trilhar seu caminho em busca do sucesso.

O melhor para todos!

=D